Bairros

Bairros universitários Bairros universitários

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

como ideais para montar

suas repúblicas e mudam o

perfil de ruas, avenidas, quarteirões,

e assim por diante.

Andando pela cidade, não

é difícil notar quais são essas

regiões. Os estudantes estão

por todos os locais - pontos

de ônibus, restaurantes, bares

e outros estabelecimentos e

movimentam o município de

forma singular.

Mas não é para menos.

Até agosto, eram cerca de 19

mil universitários nas oito faculdades

instaladas em Bauru

- Faculdade de Odontologia

de Bauru (FOB) da Universidade

de São Paulo

(USP), Faculdades Fênix, Faculdades

Integradas de Bauru

(FIB), Instituto de Ensino

Superior de Bauru (Iesb/Preve),

Instituto Toledo de Ensino

(ITE), Universidade do

Sagrado Coração (USC),

Universidade Estadual Paulista

(Unesp) e Universidade

Paulista (Unip).

Neste semestre, a cidade

passa a contar com sua nona

instituição: o Liceu Noroeste,

que inicia as atividades

no segmento com os cursos

de tecnologia em rede de

computadores e tecnologia

em Internet.

O contingente de universitários

cresce gradativamente,

gerando novas regiões de

predominância de estudantes

de nível superior e aumentando

o leque dos “bairros universitários”.

Conforme já veiculado pelo

Jornal da Cidade, o número

de universitários em Bauru

aumentou 19% nos últimos

seis anos. O levantamento,

realizado pelo Data-ITE,

órgão ligado à Instituição Toledo

de Ensino (ITE), mostra

que, de 1998 a 2004, a quantidade

de universitários matriculados

passou de 15.471 para

18.958. Os dados reforçam

o perfil de pólo educacional

da cidade.

A conseqüência são eixos

que tornam-se referência pela

concentração de estudantes.

São exemplos os bairros

localizados nas imediações

das avenidas Nações Unidas e

Duque de Caxias. Eles são

eleitos pelos universitários pela

facilidade de acesso a serviços

como supermercado, padaria,

comércio, etc. Além disso,

são próximos a pontos de

ônibus e pontos de carona.

Jardim Brasil, Jardim Panorama,

Jardim Infante Dom

Henrique, Vila Universitária,

Jardim Higienópolis, Vila

Altinópolis e Centro estão

entre os mais cotados.

Profissionais do ramo

imobiliário de Bauru comprovam

tais preferências. “Temos

grande procura por Jardim

Brasil, Vila Universitária,

Jardim Planalto, Jardim

Panorama e Higienópolis.

Tem também o pessoal da

ITE que gosta dos Altos da

Cidade”, diz Elizabete Gasparin

Guedes, proprietária

de uma imobiliária localizada

no Centro.

“Eles são os meus melhores

clientes. Os estudantes

são fundamentais para o ramo

imobiliário em Bauru.

São o público que segura a cidade.

Quando eles não estão

aqui, Bauru fica triste e despovoada”,

avalia Elizabete.

Nos “bairros universitários”,

em especial, é inegável

a importância dos estudantes

para o comércio. Haja vista o

faturamento dos estabelecimentos

com esse segmento.

Em alguns casos, como

em uma papelaria localizada

no Jardim Brasil, eles são responsáveis

por aproximadamente

70% das vendas.

“Temos procurado buscar

outros tipos de cliente, mas

aqui acaba sendo mais caminho

para os estudantes universitários”,

explica Graziele

Svizzero, proprietária do estabelecimento.

Ela aproveita os períodos

de férias das universidades

para dar férias para seus funcionários,

já que as vendas

caem bastante nessas épocas.

“Geralmente, damos férias

para eles em julho e janeiro.

Nos programamos em função

do ano letivo. A gente dá uma

segurada nos meses de férias

para poder colocar as contas

em dia”, enfatiza a comerciante.

Se, por um lado, comerciantes

e profissionais do ramo

imobiliário aprovam grandes

concentrações de estudantes,

por outro lado parte da

população sente-se incomodada:

os vizinhos.

Uma moradora do Jardim

Higienópolis que não quis se

identificar conta que os barulhos

de festas, música alta e

ensaios de bandas são seus

principais inimigos.

“Eu suporto. Porque acontece

de tudo - festa a noite inteira

até às 5h ou 6h da manhã;

barulho com algazarra;

música alta, etc. Eles são descomprometidos

e só têm o

problema de estudar”, diz.

Até mesmo quem mora

no Centro, bairro predominantemente

comercial, também

está vulnerável aos problemas

com outros moradores

do bairro.

É o caso do estudante de

arquitetura da Unesp Caio Higa.

“Nunca tivemos problemas

com os vizinhos. No ano

passado, estávamos dando

muitas festas e os eles sempre

compreendiam. Só que

agora começou a complicar e

tivemos de dar uma cortada

nas festas”, afirma Caio, que

não troca a região central por

outro bairro da cidade.

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