Quem mora em Bauru
certamente já percebeu que
em determinados bairros ou
regiões da cidade é grande a
concentração de universitários.
Eles elegem cantos da cidade
como ideais para montar
suas repúblicas e mudam o
perfil de ruas, avenidas, quarteirões,
e assim por diante.
Andando pela cidade, não
é difícil notar quais são essas
regiões. Os estudantes estão
por todos os locais - pontos
de ônibus, restaurantes, bares
e outros estabelecimentos e
movimentam o município de
forma singular.
Mas não é para menos.
Até agosto, eram cerca de 19
mil universitários nas oito faculdades
instaladas em Bauru
- Faculdade de Odontologia
de Bauru (FOB) da Universidade
de São Paulo
(USP), Faculdades Fênix, Faculdades
Integradas de Bauru
(FIB), Instituto de Ensino
Superior de Bauru (Iesb/Preve),
Instituto Toledo de Ensino
(ITE), Universidade do
Sagrado Coração (USC),
Universidade Estadual Paulista
(Unesp) e Universidade
Paulista (Unip).
Neste semestre, a cidade
passa a contar com sua nona
instituição: o Liceu Noroeste,
que inicia as atividades
no segmento com os cursos
de tecnologia em rede de
computadores e tecnologia
em Internet.
O contingente de universitários
cresce gradativamente,
gerando novas regiões de
predominância de estudantes
de nível superior e aumentando
o leque dos “bairros universitários”.
Conforme já veiculado pelo
Jornal da Cidade, o número
de universitários em Bauru
aumentou 19% nos últimos
seis anos. O levantamento,
realizado pelo Data-ITE,
órgão ligado à Instituição Toledo
de Ensino (ITE), mostra
que, de 1998 a 2004, a quantidade
de universitários matriculados
passou de 15.471 para
18.958. Os dados reforçam
o perfil de pólo educacional
da cidade.
A conseqüência são eixos
que tornam-se referência pela
concentração de estudantes.
São exemplos os bairros
localizados nas imediações
das avenidas Nações Unidas e
Duque de Caxias. Eles são
eleitos pelos universitários pela
facilidade de acesso a serviços
como supermercado, padaria,
comércio, etc. Além disso,
são próximos a pontos de
ônibus e pontos de carona.
Jardim Brasil, Jardim Panorama,
Jardim Infante Dom
Henrique, Vila Universitária,
Jardim Higienópolis, Vila
Altinópolis e Centro estão
entre os mais cotados.
Profissionais do ramo
imobiliário de Bauru comprovam
tais preferências. “Temos
grande procura por Jardim
Brasil, Vila Universitária,
Jardim Planalto, Jardim
Panorama e Higienópolis.
Tem também o pessoal da
ITE que gosta dos Altos da
Cidade”, diz Elizabete Gasparin
Guedes, proprietária
de uma imobiliária localizada
no Centro.
“Eles são os meus melhores
clientes. Os estudantes
são fundamentais para o ramo
imobiliário em Bauru.
São o público que segura a cidade.
Quando eles não estão
aqui, Bauru fica triste e despovoada”,
avalia Elizabete.
Nos “bairros universitários”,
em especial, é inegável
a importância dos estudantes
para o comércio. Haja vista o
faturamento dos estabelecimentos
com esse segmento.
Em alguns casos, como
em uma papelaria localizada
no Jardim Brasil, eles são responsáveis
por aproximadamente
70% das vendas.
“Temos procurado buscar
outros tipos de cliente, mas
aqui acaba sendo mais caminho
para os estudantes universitários”,
explica Graziele
Svizzero, proprietária do estabelecimento.
Ela aproveita os períodos
de férias das universidades
para dar férias para seus funcionários,
já que as vendas
caem bastante nessas épocas.
“Geralmente, damos férias
para eles em julho e janeiro.
Nos programamos em função
do ano letivo. A gente dá uma
segurada nos meses de férias
para poder colocar as contas
em dia”, enfatiza a comerciante.
Se, por um lado, comerciantes
e profissionais do ramo
imobiliário aprovam grandes
concentrações de estudantes,
por outro lado parte da
população sente-se incomodada:
os vizinhos.
Uma moradora do Jardim
Higienópolis que não quis se
identificar conta que os barulhos
de festas, música alta e
ensaios de bandas são seus
principais inimigos.
“Eu suporto. Porque acontece
de tudo - festa a noite inteira
até às 5h ou 6h da manhã;
barulho com algazarra;
música alta, etc. Eles são descomprometidos
e só têm o
problema de estudar”, diz.
Até mesmo quem mora
no Centro, bairro predominantemente
comercial, também
está vulnerável aos problemas
com outros moradores
do bairro.
É o caso do estudante de
arquitetura da Unesp Caio Higa.
“Nunca tivemos problemas
com os vizinhos. No ano
passado, estávamos dando
muitas festas e os eles sempre
compreendiam. Só que
agora começou a complicar e
tivemos de dar uma cortada
nas festas”, afirma Caio, que
não troca a região central por
outro bairro da cidade.