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Amamentação tem baixo índice local

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 5 min

Apenas 12,5% das crianças menores de 6 meses são amamentadas exclusivamente com leite materno em Bauru, segundo a última pesquisa feita pelo Banco de Leite. O baixo índice local, que é compartilhado pelo Estado de São Paulo, cuja média atinge 20%, levou o Ministério da Saúde, por meio do Banco de Leite Humano (BLH), a realizar um evento dedicado a evidenciar a importância do leite humano.

É a 13.ª Semana de Amamentação de Bauru, cujo slogan é “Amamentação exclusiva: segurança, saúde e sorrisos”, que será aberta hoje e vai até sábado no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Durante o encontro, serão oferecidas palestras gratuitas sobre aleitamento materno, amamentação exclusiva e doação de leite, além de atividades culturais.

A coordenadora do Banco de Leite de Bauru, Maria Nereida Panichi, explica que a amamentação exclusiva para crianças de até 6 meses de idade, recomendada pelo Ministério da Saúde, é fundamental para o desenvolvimento saudável dos pequenos. “O leite humano carrega fatores de proteção e defesa” afirma. “Até 6 meses, o bebê deve receber somente leite do peito, sem complementos como água, chá ou comida”, frisa Nereida.

A postura é adotada pela manicure Kátia Regina da Silva, que é moradora da Vila Dutra. Ela é mãe de Victor Hugo da Silva Costa, de 3 meses, e afirma que seu filho receberá apenas leite materno até completar 6 meses. “Amamentei meu outro filho, que hoje tem 6 anos, só com leite do peito, depois passei a complementar sua mamada até ele fazer 2 anos. O leite humano é a primeira vacina da criança e ele é essencial”, enfatiza.

A doméstica Carmen Cardoso, que mora no Núcleo Joaquim Guilherme, defende o aleitamento exclusivo. Até os 6 meses, ela alimentou seus dois filhos, Isabel Cardoso Antoniansa, 6 anos, e Alex Fernandes Antoniansa Júnior, 4 anos, somente com leite humano. “Dessa forma, as crianças têm mais imunidade. Elas ficam livres de desidratação e outros problemas. Além disso, o corpo da mulher volta ao normal muito mais rápido depois da gravidez”, observa.

Questão cultural

O baixo índice de aleitamento exclusivo está relacionado a uma questão cultural, explica Nereida. Segundo ela, nas décadas de 20 a 40 houve no Brasil a intenção de desestimular o aleitamento humano devido à comercialização do leite industrializado. “Se estabeleceu uma idéia de que o leite de vaca era superior ao leite materno. Isso para promover o escoamento de produção do leite de vaca, que era transformado em leite em pó”, diz.

“Com a ajuda de recursos de propaganda, tirou-se a idéia de que a mãe era capaz de alimentar sua criança, transferindo-se essa responsabilidade para os médicos”, completa Nereida.

Anderson Aparecido Custódio Júnior, de 5 meses, não é amamentado com leite materno desde o primeiro mês de vida. Sua avó, a doméstica Sônia Regina da Costa, explica que a mãe parou de alimentá-lo pois “seu leite secou”. Desde então, Sônia passou a dar apenas mamadeiras contendo leite industrializado para o neto.

“Eu é que cuido do nenê. A mãe não mora com ele e, como não tenho tempo, não recorri ao Banco de Leite”, justifica ela, que mora no Fortunato Rocha Lima. Apesar disso, Sônia ressalta que a amamentação exclusiva é a ideal. “O leite do peito é o melhor leite”, diz.

Serviço

13.ª Semana de Amamentação de Bauru. De segunda-feira até sábado, no Senac. As atividades são gratuitas. Avenida Nações Unidas, 10-22. Informações: (14) 3227-0702.

Males

A não-utilização do leite materno em bebês de até 6 meses pode causar doenças e até mesmo provocar a morte, salienta a nutricionista Maria Nereida Panichi. “A criança corre o risco de não ter o alimento adequado para seu organismo digerir. As fábricas tentam melhorar cada vez mais o leite industrial, mas elas nunca colocarão anticorpos”, aponta. “Existe ainda o riscos da criança desenvolver intolerância ao leite de vaca e da família que coloca pouca quantidade do leite em pó para economizar”, acrescenta.

A pediatra Edna Saeki explica que o ideal é a prática da amamentação exclusiva até os bebês completarem 6 meses de idade. Porém, como algumas mães não têm tempo suficiente para isso, pois voltam ao trabalho mais cedo - em geral após os 4 meses de vida da criança -, ela aponta que o aleitamento materno pode ser completado com leites industrializados de boa qualidade.

“Algumas necessitam de uma complementação que deve ser feita com outros leites, não pode ser feita com água ou chá, papinha, fruta ou iogurte. Nessa idade, esses alimentos são supérfluos”, frisa Edna. “Orientamos iniciar a alimentação dos bebês com frutas e sucos somente a partir dos 4 meses, mas isso depende de cada criança”, ressalta. Segundo a pediatra, essa conduta deve feita apenas sob orientação médica.

Programação

Hoje

14h30: Abertura da semana, no Senac, com apresentação de teatro e coral dos agentes comunitários de saúde do Jardim Godoy

15h: Apresentação das atividades desenvolvidas sobre aleitamento materno na região de Bauru

Terça-feira

14h30: Análise comparativa da situação da amamentação exclusiva na cidade, com a nutricionista Maria Nereida Panichi

16h: Palestra “Relação entre aleitamento materno e a má-oclusão odontopediatria”, com a odontopediatra Maria Terezinha Covolan

Quarta-feira

9h: Encontro da Rede Social de Promoção do Aleitamento Regional Bauru, com a nutricionista Maria Nereida Panichi e a enfermeira Giuliana Micheloto Parizoto

14h30: Curso para gestantes Unimed

Quinta-feira

14h30: Curso para gestantes Unimed

15h: Teleconferência “Amamentação por uma vida melhor”, com os médicos João Guerra de Almeida e Sonia Salviano.

17h30: Apresentação do coral dos agentes comunitários da unidade básica de Saúde do Santa Edwirges

18h: Teatro de bonecos

18h30: Palestra “Amamentação Exclusiva: segurança, saúde e sorrisos”, com a psicóloga Silvana Nunes Garcia Bormio

20h30: Apresentação do Coral da Unimed Federação Regional Centro-Oeste Paulista

Sexta-feira

14h30: Cursos para gestantes Unimed

15h: Homenagem às doadoras do Banco de Leite

Sábado

Plantão de dúvidas e distribuição de folhetos explicativos sobre amamentação nas três unidades do supermercado Confiança localizadas na Vila Aviação, Núcleo Mary Dota e Vila Falcão

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