Regional

Delegacia de Lençóis Pta. é assaltada

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Lençóis Paulista - A ousadia dos assaltantes parece não ter limite. Depois das residências, bancos e comércios, eles se voltam agora também contra as delegacias de polícia. Foi o que ocorreu no fim de semana passado em Lençóis Paulista (43 quilômetros ao sul de Bauru).

Duas pessoas bem vestidas, sem capuzes e armadas com pistolas se passaram por vítimas de furto e quando foram atendidas pela funcionária de plantão anunciaram o assalto e fugiram, alguns minutos mais tarde, levando cinco armas, formulários para registro e transferências de veículos e um cofre.

Recentemente, delegacias de Tupã e Vargem Grande Paulista, na região da Grande São Paulo, também foram assaltadas. O horário do roubo e a forma de agir dos bandidos foram os mesmos nos três casos (incluindo o assalto de Lençóis Paulista). Por isso, existem suspeitas de que se trata de uma quadrilha que está se especializando em ações dentro das delegacias para roubar armas e formulários para “esquentar” veículos furtados.

O assalto em Lençóis ocorreu por volta das 7h de anteontem. A funcionária de plantão era a escrivã Lívia Maria Ramazini, que logo após o roubo precisou ser internada no hospital da cidade por ter entrado em estado de choque.

A ação teve início quando os assaltantes tocaram a campainha da delegacia. Assim que a funcionária os atendeu, eles disseram que haviam sido vítimas de um furto de um aparelho de CD e queriam registrar um boletim de ocorrência (B.O).

Plantão solitário

Durante a semana, à noite, e nos fins de semana, o dia todo, segundo apurou o JC, fica apenas um funcionário na delegacia. Os plantonistas se dividem entre escrivãos e investigadores. Eles se revezam a cada 12 horas de trabalho.

Lívia, que estava sozinha na delegacia, pediu para os dois entrarem para registrar o BO. Assim que entraram, ainda no corredor, eles renderam a escrivã. Ela foi amarrada, amordaçada e colocada dentro da cela da delegacia.

Depois disso, os assaltantes reviraram o local em busca das armas e dos formulários. Foram levadas duas winchesters, dois revólveres calibre 12 e um calibre 38, que estavam guardadas no setor de investigação. A dupla encontrou ainda cerca de 1.300 Certificados de Registro de Licenciamento de Veículo (CRLV) e 1.600 Certificados de Transferência.

Há suspeitas de que o objetivo dos assaltantes com os certificados é usá-los para “legalizar” a comercialização de carros furtados. Com a documentação do veículo aparentemente em ordem seria mais fácil vendê-los sem provocar desconfianças.

Sem valor

Neste caso, o golpe só é descoberto quando os documentos são submetidos à análise da polícia ou do Departamento de Trânsito (Detran), entre outros órgãos, e verifica-se que os certificados estão irregulares. Todos os formulários roubados anteontem foram cancelados. Ou seja, legalmente, eles não têm mais valor nenhum.

O assalto só foi comunicado à polícia por volta das 11h, quando um morador da cidade procurou a delegacia também para registrar um BO. Ele encontrou a porta aberta, entrou, viu que o local estava completamente revirado e acabou descobrindo que a funcionária estava presa dentro da cela.

Ela não soube dizer se o assalto foi praticado apenas pelos dois que tocaram a campainha da delegacia ou se outros se juntaram a eles para terminar o “serviço”. Lívia esteve ontem no Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic), em São Paulo, para fazer o retrato falado dos assaltantes.

Além dos policiais civis de Lençóis Paulista, o caso está sendo investigado também por policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG/Garra) de Bauru.

A Delegacia de Lençóis Paulista argumentou que a escrivã estava sozinha no momento do assalto porque um investigador havia saído para atender uma outra ocorrência.

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