Com 119 votos a favor, 19 contra e quatro abstenções, os bancários decidiram, na noite de ontem, deflagrar greve por tempo indeterminado a partir de hoje em todos os bancos públicos e privados de Bauru. Segundo o diretor da entidade Marcos Lenharo, o movimento também deve ser deflagrado nesta quarta-feira em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Brasília (DF), que juntos concentram a maior parte do sistema financeiro do País.
Na assembléia realizada ontem na sede do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, os 142 participantes rejeitaram, por unanimidade, a proposta que havia sido oferecida pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) no último dia 8, avançando 2,5 pontos percentuais no índice de reajuste em relação à proposta anterior.
Enquanto a categoria reivindica 25% de reposição salarial, contratação de mais funcionários para reduzir as filas nos bancos, elevação dos pisos salariais, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), garantia de emprego e outros itens, a Fenaban propôs reajuste de 8,5% para todos os trabalhadores e mais R$ 30,00 para os funcionários que ganham até R$ 1,5 mil, PLR de 80% do salário mais R$ 705,00 e uma cesta-alimentação extra de R$ 217,00.
“A proposta é totalmente insuficiente, pois além de pedirmos 25% de reposição salarial, nos termos sugeridos pela Fenaban não consta uma série de reivindicações que estão na nossa pauta”, diz Lenharo. A categoria reclama que os bancos têm batido recordes sucessivos de arrecadação e que, justamente por isso, não haveria motivo para negar a reivindicação dos bancários.
“Não há motivos para que os bancos não consigam nem ao menos repor as perdas salariais acumuladas desde 1994. No Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, as perdas (salariais) foram de 80% e 100%, respectivamente, porque os salários dos funcionários nesses bancos foram praticamente congelados durante o governo Fernando Henrique Cardoso”, destaca o diretor Roberto Machini.
Segundo Lenharo, está marcada para hoje, às 19h, no sindicato, uma assembléia para avaliar o quadro nacional de paralisação da categoria e algum eventual posicionamento da Fenaban diante do início da greve. Em São Paulo, assembléia com a mesma finalidade está prevista para a 18h.
Desde o início da campanha salarial dos bancários, no mês passado, diversas paralisações pontuais em agências de bancos públicos e privados já foram realizadas.
Em Bauru, a principal ocorreu no dia 25 de agosto, quando várias agências localizadas no Centro da cidade (todas as unidades da rua 1.º de Agosto, Ezequiel Ramos, Virgílio Malta e Praça Rui Barbosa) abriram somente após o meio-dia. Nesta data, as agências localizadas na Avenida Paulista, em São Paulo, ficaram fechadas o dia todo.
No dia 26, em Bauru, foi a vez das agências localizadas na Praça Portugal e Jardim Estoril. No dia 27 de agosto, a pararem a mobilização da categoria fez com que todas as agências bancárias da avenida Duque de Caxias abrissem depois do meio-dia.