Ao invés de cruzar os braços durante o expediente, a doméstica Laudicéia da Silva Simões decidiu reclamar ao Departamento de Água e Esgoto (DAE): falta água para lavar louça, a roupa e para limpar a casa. Além da estiagem, do vento intermitente acompanhado pela poeira e do calor que já reduziu o nível do rio Batalha, ela enfrenta o problema há três anos, desde que começou a trabalhar na quadra 15 da rua Joaquim da Silva Martha, na Vila Santa Teresa.
Mas falta d’água crônica não aborrece apenas Laudicéia e suas patroas de 80 e 90 anos. Ela atinge os bairros mais antigos do município. No Higienópolis, por exemplo, o problema se arrasta há bem mais de 20 anos. “Seguramente há 52 anos sofremos com isso toda a semana”, garante José Bernardo Pacheco Filho, morador da quadra 3 da rua Xingu.
Confirma a dificuldade Antônio Maldonado, morador da quadra 2 da rua Belém. Ele mora no Higienópolis há 20 anos e diz que o abastecimento sempre foi precário. Como dispõe em casa de uma bomba instalada no chão (quando cheia ela pressiona a água até a caixa situada sobre a casa), ele recebe os vizinhos para tomar banho, além de emprestar água pela mangueira.
A situação já foi comunicada à diretoria do DAE por meio de um abaixo-assinado e pode ser revertida em breve. De acordo com a assessora de imprensa do órgão, Sandra Faria, os projetos técnicos desenvolvidos para garantir o abastecimento de água nos dois bairros já foram concluídos e o da rua Belém foi enviado para a execução, ou seja, foi incluído no cronograma de obras.
“Pode começar a ser feito a qualquer momento, dependendo das prioridades. Não é tão caro (a realização do projeto, cujo valor não foi informado), mas foi estudado com cautela porque vai interditar rua, abrir calçada. Tem de ser evitado no período de chuvas, por exemplo”, diz Faria.
Ela admite dificuldade no abastecimento de água nos bairros situados nas imediações da região central de Bauru, onde foram instaladas as primeiras redes, atualmente subestimadas e obsoletas. “A cidade cresceu. Houve expansão do bairro e a tubulação permaneceu com o mesmo diâmetro. A rede está insuficiente para a demanda. Com pouca pressão, a água não chega até a caixa”, explica.
Por essa razão, o DAE tem sugerido a instalação nas casas, prédios e estabelecimentos comerciais de bombas como a de Antônio Maldonado, medida que provoca acréscimo acentuado na conta de energia elétrica.
Até que uma providência particular ou pública seja tomada, Laudicéia vai continuar lançando mão da criatividade para cumprir com o seu trabalho diário. “Para lavar lençol eu pego água da pia do banheiro de empregada, onde tem uma caixa d’água”, diz. O esforço lhe rendeu o reconhecimento e a amizade das patroas.
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Água some em seis bairros de Bauru
Moradores de bairros como a Vila Souto, Vila Falcão, Vila Dutra, Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16), Andorinhas e Centros tiveram uma surpresa ontem à noite quando chegaram em casa após a jornada de trabalho: as torneiras estavam secas. Sem água nem para tomar banho, pelo menos três deles procuraram o Departamento de Água e Esgoto (DAE) para pedir providências.
A resposta do atendente foi unânime: o nível de água do rio Batalha, responsável pelo abastecimento de pouco menos de 50% da cidade, caiu a ponto de não suportar a operação simultânea das três máquinas na captação. A informação é contestada pela assessora de imprensa do DAE, Sandra Faria.
De acordo com ela, até ontem à tarde, o nível do rio havia caído apenas um centímetro e meio. A régua de 60 centímetros responsável pela medição marcava 58,5 centímetros. “Até 40 centímetros o abastecimento de água é normal na cidade. Houve uma queda de energia no Batalha pela manhã (de ontem) e interrompeu o tratamento. Como o consumo de água é maior no calor, o reservatório baixa mais rápido”, explica.
Faria também atribui a alegada falta d’água à manutenção pontual da rede. No entanto, Dulcirene Pereira de Andrade Florência, moradora da Vila Falcão, garante que o problema começou na semana passada. “Não temos água nem para lavar a mão”, comenta.
Moradora da quadra 8 da rua Olegário Machado, ela comprou um galão de água para dar banho na sua filha de 41 dias. Também com crianças em casa, Jorge Quatrina queixa-se há três dias da escassez de água no Centro da cidade. Por período semelhante, moradores do Andorinhas, do Bauru 16 e da Vila Dutra enfrentam o desabastecimento.
Eles foram informados que o problema se prolongará até que a captação do rio Batalha melhore, esclarecimento que será alvo de apuração pela diretoria do DAE. Independentemente das medidas internas do órgão, o ideal é que chova, possibilidade não descartada pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Tanto o aumento de nebulosidade quanto uma eventual precipitação estão previstas para a tarde de hoje em Bauru ou na região. Neste caso, a umidade relativa do ar ficará muito acima dos 27% registrados ontem. O índice mais baixo no mês de setembro foi constatado no dia 8, quando a umidade do ar não passou dos 23%.
Os índices melhoraram a partir da última segunda-feira, quando choveu pela última vez. Na ocasião, o IPMet registrou seis milímetros de índice pluviométrico (quantidade de água captada na estação), o que caracteriza uma chuva fraca. Quando é moderada e forte, o índice varia entre 12 e 25 milímetros.