A violência urbana fez com que a comerciante Solange Lins de Souza trocasse a Capital por Alvinlândia. “Eu morava em São Mateus, Zona Leste de São Paulo e não tinha sossego. A violência e o medo fez com que eu procurasse o Interior.”
Antes de chegar a Alvinlândia, ela passou por Marília. “Achei que Marília já era grande e tinha alguns dos problemas urbanos que eu não compactuo.”
Na busca por tranqüilidade, ela conseguiu encontrar um morador de Alvinlândia que queria trocar uma casa por outra em Marília. “Não pensei duas vezes. Vim ver e fiquei. Aqui vivemos como se todos pertencesse a mesma família.”
A falta de privacidade não a incomoda. “Um sabe da vida do outro, mas isso não me incomoda. Tenho segurança. O atendimento médico da cidade é ótimo e quando não tem médico especialista, a ambulância faz o transporte para Marília.”
Outro fator que faz com que a paulistana seja uma moradora feliz é a limpeza da cidade. “Os garis limpam todos os dias. As donas de casa varrem a calçada e o lixo não fica na rua. Se eu deixar o portão aberto, ninguém entra.”
Ela só reclama do movimento em sua sorveteria. “O movimento é pequeno porque tem poucos moradores e visitantes. Porém, não podemos ter tudo em um só lugar”, acrescenta.
Fiado
A convivência entre os moradores dos municípios pequenos é muito semelhante a de uma família onde um filho empresta um objeto para o outro. A palavra faz o papel de uma nota promissória e o dia do pagamento é o acerto de contas.
O comerciante José Alves Ferreira, de Alvinlândia, conta que vende gás e não raras vezes faz o negócio baseado na palavra do comprador. “Eu vendo para o freguês pagar no dia do pagamento dele”. Quando chega o dia, o cliente paga e mantém o crediário, que dispensa a consulta ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), como ocorre nos grandes centros urbanos.
Ele lembra que na rotina diária é comum verificar que uma dona de casa socorra a outra. “Às vezes acaba o açúcar e a pessoa corre emprestar. No dia do pagamento aquele que emprestou faz sua compra e devolve a quantia emprestada.”
Segundo o morador, a população se relaciona de maneira diferente dos grandes centros urbanos. “Todos são amigos, quase parentes, se auxiliam mutuamente.”