Quem vive nas grandes metrópoles e convive diariamente com poluição sonora, visual, grande aglomeração de pessoas não imagina que exista uma cidade onde não há ruído de trânsito, filas nos bancos e, especialmente, pássaros cantando em sua janela quando amanhece o dia. Morar em cidades de pequeno porte, além de ser um investimento na qualidade de vida, é também viver numa grande família.
O relacionamento humano é o foco da convivência. Todos se conhecem. Se por um lado a privacidade é prejudicada, por outro, a solidariedade é desacerbada, fora do comum. Quando um morador fica doente, os vizinhos correm para socorrê-lo. O socorro não vem só em forma de auxílio financeiro, mas de apoio moral e de serviços.
O comerciante de gado Robson Teruel, morador de Alvinlândia, comprova a tese. “Um amigo nosso fez uma cirurgia de estômago. Nós nos cotizamos para manter a dieta que ele precisava. Compramos iogurte, legumes e frutas até ele se recuperar.”
A comerciante Solange Lins de Souza explica que viver em Alvinlândia é como ter muitos parentes. “Se a gente fica doente, o vizinho corre para saber o que a gente tem. Como não tem disque-remédio, é o vizinho que vai até a farmácia buscar o medicamento.”
Ele lembra que se a mulher estiver “de dieta”, período após ter dado à luz, as vizinhas ajudam tanto no cuidado com o recém-nascido como da mulher. “Se precisar fazer uma canja ou dar banho no bebê, a gente faz.”
Canto de pássaros
Acordar com o canto de um passarinho na janela é um privilégio que os moradores de Alvinlândia ainda têm. A cidade é um silêncio, poucos carros nas ruas e, em conseqüência, pouco barulho e poluição.
As ruas de Alvinlândia são tão tranqüilas que as crianças andam de bicicleta no meio da avenida, que, por sinal, são amplas, projetadas para o futuro. Os veículos não são usados com muita freqüência, já que tudo é muito perto.
A rotina diária da maioria dos moradores segue mais um ritual de zona rural do que propriamente de área urbana. Como grande parte da população trabalha na lavoura, os horários de almoço, jantar e de dormir são diferentes do que nas cidades de porte maior.
Robson Teruel ressalta que os moradores do bairro dormem por volta das 21h. “Porque aqui a maioria acorda por volta das 6h. Nesse horário os pássaros estão cantando no quintal. É muito legal amanhecer nesse sossego.”
Segurança
A rotina de cada morador é “vigiada” pelos demais, comenta Teruel. “Meu vizinho vai viajar e me avisa. Mesmo se não avisar, eu conheço quem faz parte da família. Se por acaso eu vejo alguém diferente entrando na casa dele, vou saber o que está acontecendo.”
O relacionamento é tão afinado entre os moradores do bairro, segundo ele, que um cuida das coisas do outro. “Aqui nós deixamos as bicicletas estacionadas na guias das calçadas. Ninguém mexe, porque sabe de quem é. Um respeita o outro.”
Emergências
Como a cidade é pequena e tudo fica muito perto, os moradores fazem tudo a pé, á cavalo ou de bicicleta, carro só para viagens ou emergências. É comum ver os animais arriados presos nas árvores da cidade enquanto seu dono faz compras, almoça ou conversa com um amigo.
Mesmo nas avenidas pavimentadas, os animais trafegam tranqüilamente, frisa Teruel. “Ando a cidade toda a cavalo. Não tenho problemas no trânsito porque a circulação de veículos é pequena”, conclui.