Economia & Negócios

Greve não afeta caixas eletrônicos

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

A greve dos bancários, que entrou ontem em seu segundo dia, ainda não prejudicou os serviços de auto-atendimento nos caixas eletrônicos de Bauru. Segundo representantes dos bancos ouvidos pela reportagem, a reposição de dinheiro nos terminais das agências do município vem sendo feita por empresas terceirizadas ou por funcionários que não aderiram à paralisação.

A decisão de manter a greve por tempo indeterminado foi tomada na noite de ontem, em assembléia que terminou com o placar de 211 bancários a favor e 23 contra a continuação do movimento. Segundo o sindicato da categoria, 85% dos 1.800 bancários que trabalham em Bauru cruzaram os braços ontem, 5% a mais do que no primeiro dia de paralisação.

O diretor da entidade Marcos Silvestre afirma que, das 42 agências da cidade, 34 interromperam o atendimento ao público ontem (na quarta-feira eram 26 agências), mantendo apenas os serviços oferecidos nos caixas eletrônicos. Segundo ele, hoje outras cidades do Interior do Estado, como Campinas, devem aderir à greve.

Sem opção, a comerciante Cristina Herrera teve que recorrer ontem ao terminal de auto-atendimento. “Pelo menos em relação ao caixa eletrônico, ainda não tive problemas. A minha dificuldade é que tenho duplicatas que só podem ser pagas no caixa”, comenta.

Para o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região Paulo Sérgio da Silva, os terminais também começarão a sofrer as conseqüências da paralisação caso o movimento se estenda. “Algumas agências, inclusive, estão optando por não receber mais depósitos em caixa eletrônico, justamente por não contar com funcionários. Isso, porém, fica a critério do gerente”, declara.

Silva acredita que a compensação de cheques é outro setor que poderá sentir os efeitos da greve brevemente. “Principalmente se a adesão dos funcionários do Banco do Brasil, que controla o processo, continuar crescendo. Vai chegar uma hora em que a paralisação afetará até mesmo as agências que estão abertas”, projeta.

Tumulto

A exemplo do que ocorreu no primeiro dia da greve, ontem grevistas e gerentes do Bradesco se desentenderam e a Polícia Militar foi chamada para garantir a abertura das quatro agências instaladas na cidade.

“O Bradesco tem uma ação judicial que, na prática, impede o sindicato de fazer qualquer atividade na porta do banco. Consideramos esse tipo de atitude antidemocrática e estamos recorrendo na Justiça”, afirma Silva.

Das 21 agências visitadas pela reportagem ontem à tarde, apenas três estavam funcionando normalmente.

Para voltar ao trabalho, os bancários querem 25% de reposição salarial, participação de 15% no lucro bruto dos bancos, redução da jornada de trabalho de seis para cinco horas, abertura das agências das 9h às 17h e estabilidade no emprego.

Os banqueiros oferecem 8,5% de reposição mais R$ 30,00 de abono fixo para quem ganha até R$ 1.500,00, além de uma participação nos lucros e resultados no valor de 80% dos salários e mais R$ 705,00.

Enquanto a greve durar, contas de água, luz, telefone, prestações da Cohab e impostos, além de outros serviços, podem ser pagas nas agências lotéricas.

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