Economia & Negócios

Safra maior de cana-de-açúcar ameaça rentabilidade do setor

Murilo Murça de Carvalho (correspondente do Jornal da Cidade em Brasília)
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A Câmara de Açúcar e Álcool fechou ontem, em Brasília, as previsões para a safra 2004/05, quando deverão ser colhidas entre 310 milhões e 320 milhões de toneladas de cana-de-açúcar (7% a mais que na safra anterior), com a produção de 23,5 milhões de toneladas de açúcar e 12,7 bilhões de litros da álcool. Também foi prevista a exportação de 13,5 milhões de toneladas de açúcar e 1,2 bilhão de litros de álcool. O consumo interno de açúcar deverá ficar em 8 milhões de toneladas e o de álcool em 11,5 bilhões de litros.

A grande produção, segundo análise da Câmara, representa uma ameaça à rentabilidade do setor devido à pressão pela redução de preços decorrente do excesso de oferta. Há, no entanto, a perspectiva de equilibrar os preços internos com maior exportação, o que já está acontecendo, principalmente para o Oriente Médio, apesar da forte crise política na região.

Em relação ao álcool, a expectativa é de aumento do consumo interno, com a crescente fabricação de automóveis bicombustível, que este ano poderá ultrapassar 300 mil unidades, dentro de uma perspectiva de aumento crescente nessa produção que deverá substituir completamente os motores exclusivamente a álcool já em 2006.

O retorno econômico do setor na safra passada, no entanto, foi 9% inferior ao de 2002. Mesmo assim, há a perspectiva de crescimento da produção nos próximos seis anos da ordem de 53%, não apenas pelo aumento da produção de motores bicombustível, como também pela esperada adição de álcool no diesel e sua contribuição na produção de biodiesel.

O governo brasileiro, que vinha se omitindo na participação efetiva na Organização Internacional do Açúcar, mudou de postura e enviará missão representativa para a próxima reunião, semana que vem, na República Dominicana. O diretor do setor de açúcar e álcool do Ministério da Agricultura, Ângelo Bressan, afirmou ontem que o Brasil, como maior produtor mundial, tem que “mostrar a cara” nos encontros internacionais, de modo a definir posições e continuar a lutar por maior abertura de mercado e redução de subsídios.

O tema da reunião da República Dominicana deverá induzir a discussão do assunto “Os Desafios da Globalização e os Tratados de Livre Comércio”. Para Bressan, as distorções no mercado internacional podem ser facilmente exemplificadas pelos números europeus. A União Européia, disse, vende de 5 milhões a 6 milhões de toneladas de açúcar no mercado internacional por um terço do valor de produção, o que distorce o mercado e denota forte subsídio.

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