O prefeito Nilson Costa indeferiu ontem a solicitação de membros da Cooperativa dos Condutores Autônomos do Centro-Oeste Paulista (Coopercentro) para implantar o serviço de transporte coletivo em vans em Bauru. A decisão do chefe do Executivo é a terceira decepção sofrida somente nesta semana pelo grupo, que lidera sem sucesso o movimento pela implantação do serviço na cidade (leia mais abaixo).
Com o despacho, o chefe do Executivo espera colocar um ponto final na expectativa dos proponentes desse tipo de transporte. No entanto, o diretor operacional da cooperativa, Osmani Moura, não deu mostras de que vai desistir.
“Em assembléia, nós decidimos retirar (as dez) vans (de frente da prefeitura). Vamos estudar o rumo do movimento”, diz. À reportagem, ele não descartou a possibilidade de reunir os apoiadores do serviço e realizar uma manifestação nos próximos dias. A insistência seria motivada pelo desemprego.
“Alguns já tinham os veículos e faziam frete, mas não têm trabalho o ano todo. Outros compraram (a van) porque há dois meses o Jurídico foi favorável”, explica Moura.
No entanto, de acordo com o Secretário de Negócios Jurídicos, Antonio Carlos Martinez, na ocasião a secretaria apenas indicou a necessidade de realizar um processo de licitação para implantar o serviço na cidade, desde que com a conveniência do órgão gestor. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) é a responsável por esse tipo de atividade em Bauru.
Negativa
Sob a alegação de que a introdução das vans colocaria em risco o equilíbrio financeiro do atual sistema de transporte coletivo, a Emdurb apresentou parecer negativo à autorizaçaõ para as vans. O processo levou Nilson Costa a acatar as argumentações desfavoráveis aos perueiros.
“Acolho considerações constantes do parecer dessa secretaria, bem como a manifestação da Emdurb, que apontam os inconvenientes da implantação imediata do transporte alternativo das vans. Ressalte-se a exiguidade de tempo, no final desta administração, para a realização das providências alusivas à indispensável licitação. (...) Indefiro o pedido formulado pela Coopercentro”, conclui, conforme texto encaminhado pela assessoria de imprensa.
A negativa da administração municipal não é o primeiro golpe sofrido pelo movimento, iniciado há cerca de dois meses pela cooperativa. Na terça-feira passada, um dos veículos do grupo foi apreendido na região central da cidade, quando transitava com cinco ocupantes.
No mesmo dia, outras três vans da Coopercentro foram paradas por policiais militares e fiscais da Emdurb. Uma delas foi autuada por problemas com documentação e cinto de segurança do veículo.
____________________
Vigília
A reboque da ação da Polícia Militar, da Emdurb e da decisão do prefeito Nilson Costa de indeferir a solicitação para a implantação do transporte coletivo de vans em Bauru, os membros da Coopercentro desistiram ontem à noite da vigília iniciada na madrugada de terça-feira em frente ao Palácio das Cerejeiras.
Acomodadas em dez vans estacionadas na rua Padre João, 25 pessoas tentaram sensibilizar o chefe do Executivo quanto ao pedido, mas não foram recebidos por ele. “Passamos (estes dias) a pão e água. Usávamos o banheiro da prefeitura (durante o expediente). Hoje (ontem) cortaram até a água (de uma torneira da praça)”, conta Osmani Moura. Ao lado dele, um senhor carregava uma criança de 1 ano e 8 meses, que também participou do protesto.
“Nossa maior força é a população. Muitas dessas pessoas votaram no prefeito, que agora está fechando as portas para a gente”, finaliza, em tom de desalento.