Regional

Jornal de Marília é proibido de falar sobre coligação e prefeito

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Marília - Desde sexta-feira da semana passada, o jornal Diário de Marília está proibido de publicar qualquer informação que envolva os partidos da coligação “Marília no Rumo Certo” e também o prefeito da cidade, Abelardo Camarinha.

A decisão foi tomada pelo juiz eleitoral Olavo de Oliveira Neto após denúncia do PMDB, partido do prefeito, de que o jornal teria cometido crime eleitoral em duas matérias publicadas no começo deste mês. O partido entrou com pedido de liminar para proibir a publicação de novas reportagens e solicitando direito de resposta.

O jornal recorreu contra a liminar e espera que ainda hoje haja um novo pronunciamento do juiz. Na tentativa de ampliar suas possibilidades de reverter a decisão, o jornal recorreu também ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em São Paulo.

“Em seus 76 anos de existência, o jornal nunca foi censurado antes. Nem mesmo na época da ditadura”, declarou o editor do Diário, José Ursílio de Souza. “É um ato de censura prévia que, no nosso entendimento, fere a Constituição, fere o direito do jornal à liberdade de expressão, fere o direito do cidadão à informação”, escreveu ele, em sua coluna dominical.

Os candidatos da coligação “Marília no Rumo Certo” sustentam na ação que suas campanhas teriam sido afetadas pelas duas reportagens publicadas no jornal. A primeira saiu no dia 2 e trata de um decreto que declara de utilidade pública prédio da Ceagesp, avaliado em R$ 3,7 milhões, para a instalação de uma unidade da Faculdade de Tecnologia (Fatec).

De acordo com a reportagem, a desapropriação teria um obstáculo legal. Por ser um prédio que pertence ao governo do Estado, a Ceagesp não poderia ser desapropriada pelo município, e sua compra só poderia ser feita por meio de licitação.

A outra reportagem foi publicada no dia 5 e fala da compra de programas de computadores para a Secretaria Municipal de Educação no valor de R$ 4 milhões. O custo representaria apenas a aquisição dos programas.

Por causa da censura, o jornal deixou de divulgar informações sobre a campanha de todos os candidatos, não só o da coligação “Marília no Rumo Certo”. De acordo com o editor do jornal, a medida foi tomada “por uma questão de coerência”.

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