É realmente “um grande despropósito” gastar o País, como o fez no ano passado, quase R$ 150 bilhões, para fazer face ao pagamento de juros da dívida pública nacional, conforme vem desabafar o vice-presidente José Alencar, considerando que tão vultoso despêndio impede que a nação venha a ter recursos suficientes para investir em outras áreas, como infra-estrutura de energia elétrica e projetos de tranportes urbanos e interestaduais. E fazer realmente o quê para combater uma inflação que não fecha as comportas?, questiona Alencar, escondido em um sorriso sorrateiro mas advogando conscientizar o governo de que precisa alterar o atual regime de juros para que o Brasil cresça na produção de bens com custo de capital mais econômico a fim de que as suas atividades produtivas possam ser mais competitivas e vender produtos cada vez mais baratos para sua enorme população.
Conseqüentemente, as mudanças que ora tentam efetuar-se na vida econômica não podem deixar de se acercar da órbita dos juros, tendo de se voltar, de alguma forma consciente e honesta, para uma política diferente também de combate à inflação, porquanto é impossível chegar-se onde se deseja simplesmente achatando o consumo das coisas.
“O ideal é partir-se para uma alternativa que reduza o custo de capital e favoreça o setor produtivo através da redução dos juros”, destaca o vice-presidente, o qual, evidentemente, possui razões de sobejo em sua opinião, dando a entender que “há espaço bastante para que o País se coloque em patamar compatível com as suas características funcionais, cabendo ao Comitê de Política Econômica, instituidor da famosa taxa básica de juros (Selic), tomar providências em tal sentido, que não podem ser marginalizadas do contexto para que a sempre deplorada inflação tenha o epílogo desejado”. É a opinião do vice-presidente e nossa também.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável pelo JC, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado. “Não amaldicionem as trevas porque sem elas a luz perderia a função e não teria qualquer sentido. Não haveria oásis se não houvesse o deserto!” Agradecemos imensamente ao Grupo Musical Gota d’Esperança a homenagem com que nos distinguiu pelo apoio que estas nossas matérias representam para a cultura social e informativa de nossos leitores.