Política

Limongi vê democracia em perigo

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O presidente da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), desembargador Celso Luiz Limongi, afirmou ontem em Bauru que o governo federal demonstra autoritarismo ao criar vários conselhos que, no seu entendimento, vão cercear o trabalho de categorias que ajudam a sustentar os pilares da democracia brasileira.

Ele acompanhou o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, desembargador Luiz Elias Tâmbara, na inauguração da 4ª Vara Criminal de Bauru.

“Continuo com grandes preocupações porque agora, por exemplo, não só existe o conselho externo do Judiciário como também até o Conselho Federal de Jornalismo destinado, sem dúvida nenhuma, a fiscalizar os jornalistas e cerceá-los na liberdade de informar”, analisou.

Para Limongi, o governo tem mostrado autoritarismo através desse comportamento. “Onde é que vamos parar com tudo isso? Há uma intenção real de um verdadeiro autoritarismo? Parece que sim. Estamos vendo isso. É a isso que estamos assistindo. É inegável”, afirmou.

Na opinião do desembargador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre se mostrou um democrata. “É preciso que ele (Lula) se volte para esse viés de democracia. Há um compromisso do presidente da República com a democracia. Pelo menos, eu sempre entendi assim. Agora, surpreende essas posturas mais duras do partido de sustentação do governo”, avalia.

Mobilização

O presidente da Apamagis defende a mobilização dos segmentos organizados da sociedade para barrar as claras intenções de cerceamento de notícias e das atividades do Poder Judiciário.

“Infelizmente, com o Poder Judiciário já estamos atrasados (com a mobilização). Mas espero que a sociedade compreenda que pilares importantes da democracia estão sendo atacados. Não se pode permitir que, depois de tantos anos de sofrimento, de vidas perdidas, de sangue derramado, se tenha um cerceamento na nossa liberdade de receber informações, do jornalista poder informar, o juiz na função de julgar, o Ministério Público na sua função de denunciar”, observa.

Limongi volta a insistir que o presidente Lula, no passado, exerceu a sua liberdade de denunciar, de pensar e de manifestar seus pensamentos. “Espero, sinceramente, que haja uma reversão. Eu tenho a certeza que a sociedade precisa se mobilizar para isso. Todos nós precisamos estar atentos porque a nossa democracia é, ainda, adolescente.”

Na avaliação dele, a democracia brasileira não está totalmente consolidada. "Diferentemente do que acontece na Europa. É por isso que corremos esse risco e é também por esse motivo que nós nos assustamos com todo esse autoritarismo."

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