Tribuna do Leitor

SOBRE PRESTES E OLGA


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Fiquei emocionado e enternecido ao ler a carta do professor desempregado e diretor de teatro Paulo Neves, publicada na edição de 15/09, nessa coluna. Gostaria de não decepcionar o ilustre missivista e recomendar a ele que não lesse o livro Camaradas (1993), do repórter “global” William Waack, que expõe de forma clara e documentada a aventura comunista da tentativa da tomada do poder no Brasil em 1935, conhecida como Intentona Comunista. Desta forma, o professor Paulo não ficará sabendo quem eram exatamente as figuras de Luís Carlos Prestes e Olga Benário, e não destruirá as imagens belíssimas que tem em sua memória sobre as estórias contadas pelo seu avô e seus amigos. Isto porque a verdade histórica é diferente e cruenta. Espero que o distinto professor não seja licenciado em história, pois senão terá de rever os seus conceitos a respeito dessa dupla de “idealistas”, que, a soldo de Moscou e da famigerada ditadura de Joseph Stalin, tentaram implantar um regime semelhante no Brasil, que giraria na órbita da então URSS. Sinto dizer ao prezado professor que o capitão Luís Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”, da Coluna Prestes, deixou de existir quando foi aliciado pelos comunistas, no final dos anos 20, e passou a defender a URSS como sua nova pátria. Talvez, Prestes ainda tivesse muito do romantismo da luta pela justiça e pelos desamparados. Contudo, era um agente do Komintern, que tinha a missão de espalhar a revolução comunista pelo mundo. E a sua companheira Olga era uma agente do serviço secreto do Exército Vermelho, para proteger o retorno de Prestes ao Brasil e vigiar seus passos na condução da revolução neste País. Talvez nem ele soubesse deste detalhe.

Além disso, Olga Benário era uma judia alemã, fugida da Alemanha (1928) desde os tempos da República de Weimar, portanto antes do nazismo (1933), por ter, dentre outras ações ilegais, empreendido um assalto armado a uma prisão alemã para libertar o seu então namorado Otto Braun. Olga não era essa versão romanceada do Fernando Morais, pois o próprio autor do livro “Olga” (1985), que deu origem ao filme, não tinha conhecimento das inúmeras facetas dessa obstinada comunista, que deixou o marido russo em Moscou e veio a concubinar-se com Prestes no Brasil, de modo a vigiá-lo melhor. Olga foi, além de espiã, dissoluta, bígama e trapalhona, que misturou a missão de proteger Prestes e fomentar a revolução com amores clandestinos. Meu caro professor, nada tenho contra suas convicções político-ideológicas e recomendo que fique com as imagens do filme, que são, sem dúvida, belíssimas e as que ouviu de seus entes queridos, pois senão vai se decepcionar muitíssimo. Atenciosamente. (José Ricardo Siqueira Silva - RG 38.201.565-4)

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