Política

Rio Tietê ainda poderá ficar cristalino em todo seu leito

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O rio Tietê nasce em São Paulo e praticamente corta o Estado todo, desaguando no rio Paraná, próximo à cidade de Itapura, na divisa com o Mato Grosso do Sul. Ele passa pela nossa região onde recebe diariamente o “lixo” orgânico de várias cidades, mas seu pior inimigo são os agrotóxicos das culturas canavieiras e a matéria química pesada, fruto das indústrias.

Já em sua nascente recebe a classificação quatro da Cetesb, portanto é de péssima qualidade e nem com tratamento sua água se torna potável. Porém, graças à sua extensão, tem mais de 1.000 quilômetros entre a nascente e a foz. Graças às barragens, consegue se livrar de muita sujeira, chegando à sua foz com classificação um.

A fama de poluído do Tietê é uma marca registrada. Não há quem não sinta seu “perfume” ao se aproximar da Capital e não reaja à sua aparência. Em função disso, a água não é usada para abastecimento de nenhum município.

Na região, o Tietê, entre as represas de Barra Bonita e Bariri, nos municípios de Boracéia e Itapuí, sofre com os detritos provenientes das usinas de cana de açúcar, explica o ambientalista Ivan Alexandre Ferrazoli Marchi. “Há trechos em que as culturas de cana estão praticamente dentro do rio. Não se respeita as áreas de preservação permanente que, nesse caso, é de 50 metros.”

Nas cidades ribeirinhas, ele “grita” por socorro contra a poluição das embarcações e geradas pelo lazer dos homens. “Há ranchos e casas de veraneio que geram um impacto ambiental negativo. São lanchas, jet-ski e outras embarcações que provocam barulho e derramam óleo e lubrificante na água, fator que influencia na reprodução dos peixes. Por isso, esse trecho é classe II, o que significa que tem salvação.”

Não à sujeira

Tratar o esgoto de todos os municípios que despejam seus detritos no Tietê é uma solução para salvá-lo, ainda parcialmente. Mas para que ele volte a correr limpo é preciso tratá-lo com mais carinho e atenção, especialmente em sua cabeceira. “Principalmente em São Paulo, onde ele recebe um volume maior de esgoto.”

O ambientalista lembra que a contaminação orgânica é passível de recuperação. “Éle é um rio de represa na nossa região. O material orgânico acaba se decantando e formando grandes áreas com lodo. A gente percebe isso nas prainhas. Porém, o principal fator contaminante é o químico, os materiais pesados.”

Irrigações podem causar desperdício e contaminação

A irrigação agrícola é uma das fontes de desperdício e contaminação do solo. “São dois os impactos gerados pela irrigação. Para irrigar, o rio precisa ser represado. Essa represa gera um primeiro impacto que é o alagamento de uma área considerada grande”, explica o ambientalista Ivan Marchi.

A irrigação ocupa áreas extensas, que requerem canalização longa. Essa canalização é aérea e apresenta um número grande de vazamentos, que provocam o desperdício.

A discussão, segundo o ambientalista é se essa água de irrigação está infiltrando de novo no solo e se está levando com ela os agrotóxicos. “Pergunta-se se a irrigação não está transformando a água potável em não potável.”

Marchi ressalta que nos países asiáticos, a irrigação é feita pelo sistema de rodízio. “Eles fazem em forma de círculo e em quadrantes. Desta maneira, minimiza-se o uso e tem a cultura perene, cultivo longo, durante o ano todo e isso em pequenas áreas.”

O ideal, na opinião dele, seria ter culturas mistas ao invés da monocultura. “Fazer o consórcio entre espécies, como milho com feijão, café com banana, isso também gera um enriquecimento do solo.”

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