Regional

Bauru recebe 1.500 litros de esgoto a cada segundo

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O rio que leva o nome da cidade Sem Limites nasce no residencial Lago Sul, percorre toda a cidade e, no trecho urbano, recebe quase que 100% do esgoto “in natura”. São 1.500 litros por segundo de esgoto não tratado que, despejados no rio, funcionam como uma injeção letal. O rio Bauru está no nível quatro, ou seja, no maior grau de poluição. Sua água, ainda que tratada, não pode ser consumida. Até chegar à sua foz no Tietê, o rio Bauru passa por várias propriedades rurais onde alguns animais saciam a sede, recebendo água não potável.

Próximo à cidade de Pederneiras, ele tem uma cascatinha que, no verão, gera uma espuma, explica o biólogo e ambientalista, Ivan Alexandre Ferrazzoli Marchi. “O rio tem um declive de pouco mais de um metro. A carga de esgoto passa pela decomposição e oxigenação na queda, formando uma camada de espuma, como na grande São Paulo.” Ainda no trecho urbano de Bauru, ele recebe uma carga de detritos industriais. Mas o rio ainda pode renascer. “Tratar o esgoto antes de despejá-lo no rio é uma ação que pode, em três meses, mudar a situação”, pondera o biólogo.

Ele explica que o próprio processo natural ajudaria o rio a renascer. “Embora de baixa correnteza, é um rio que tem uma constância dentro do seu processo de declive desde a nascente até a fonte. É um rio que continuamente está reciclando sua água com água de boa qualidade que vem da nascente.” A salvação do rio Bauru vai refletir no Tietê, onde ele deságua. “Quando esses afluentes deixarem de poluir o Tietê, ele terá vida nova.”

A foz do rio Bauru está entre as barragens de Barra Bonita e Bariri, prejudicando as ações turísticas de cidades como Arealva, Itapuí e Boracéia, que mantêm praias de água doce voltadas ao turismo. Marchi frisa que, além da matéria orgânica que é encontrada em larga escala, há uma pequena concentração de contaminantes químicos, provenientes da região urbana de Bauru.

Comentários

Comentários