O rio que leva o nome da cidade Sem Limites nasce no residencial Lago Sul, percorre toda a cidade e, no trecho urbano, recebe quase que 100% do esgoto “in naturaâ€. São 1.500 litros por segundo de esgoto não tratado que, despejados no rio, funcionam como uma injeção letal. O rio Bauru está no nível quatro, ou seja, no maior grau de poluição. Sua água, ainda que tratada, não pode ser consumida. Até chegar à sua foz no Tietê, o rio Bauru passa por várias propriedades rurais onde alguns animais saciam a sede, recebendo água não potável.
Próximo à cidade de Pederneiras, ele tem uma cascatinha que, no verão, gera uma espuma, explica o biólogo e ambientalista, Ivan Alexandre Ferrazzoli Marchi. “O rio tem um declive de pouco mais de um metro. A carga de esgoto passa pela decomposição e oxigenação na queda, formando uma camada de espuma, como na grande São Paulo.†Ainda no trecho urbano de Bauru, ele recebe uma carga de detritos industriais. Mas o rio ainda pode renascer. “Tratar o esgoto antes de despejá-lo no rio é uma ação que pode, em três meses, mudar a situaçãoâ€, pondera o biólogo.
Ele explica que o próprio processo natural ajudaria o rio a renascer. “Embora de baixa correnteza, é um rio que tem uma constância dentro do seu processo de declive desde a nascente até a fonte. É um rio que continuamente está reciclando sua água com água de boa qualidade que vem da nascente.†A salvação do rio Bauru vai refletir no Tietê, onde ele deságua. “Quando esses afluentes deixarem de poluir o Tietê, ele terá vida nova.â€
A foz do rio Bauru está entre as barragens de Barra Bonita e Bariri, prejudicando as ações turísticas de cidades como Arealva, Itapuí e Boracéia, que mantêm praias de água doce voltadas ao turismo. Marchi frisa que, além da matéria orgânica que é encontrada em larga escala, há uma pequena concentração de contaminantes químicos, provenientes da região urbana de Bauru.