A realidade nos bairros
de Bauru não reflete os números
da Secretaria Municipal
de Educação (SME), que
indicam aumento de vagas
na rede pública. Em diversas
regiões da cidade, a população
reclama de falta de
vagas em escolas e creches.
Os que conseguem matricular
seus filhos reclamam de
filas que têm de enfrentar.
Daniel Gonzaga, 7 anos,
é um exemplo. O menino
mora no Jardim Ivone e não
está matriculado na escola.
Com seu tempo ocioso por
não ter atividades para desenvolver,
o menino passa o
dia brincando na rua de terra
ou no Lago da Quinta da Bela
Olinda, com colegas.
O pai dele, Luiz Gonzaga,
desempregado, afirma que já
visitou várias escolas da região,
mas não obteve sucesso
na procura de uma vaga para
que seu filho estude.
“O Daniel não está na escola
desde o início do ano porque
não consegue vaga. Aqui no
bairro eu não consegui, não
consegui no Bauru 2000 e em
nenhum lugar. Ele tem de ficar
em casa o dia inteiroâ€, lamenta.
Eva Ribeiro, outra moradora
do bairro, conta que é obrigada
a levar suas filhas a pé
para uma escola do Parque
Vista Alegre, diariamente,
por falta de vaga nas unidades
mais próximas.
“Não tem ônibus que leve
e eu não posso pagar porque
estou desempregada. Se abrissem
uma escola aqui perto seria
mais fácilâ€, sugere.
Shirley Narcisa, que também
mora no Jardim Ivone,
confirma que muitos de seus
vizinhos sofrem com o mesmo
problema. “A maior parte
das crianças do bairro fica
na rua por falta de vagas na
escola. A reclamação é geral.
Em todo o bairro você
vai ouvir isso que a gente está
falandoâ€, destaca.
Já Diva Pereira de Almeida
conseguiu vaga para seus
cinco filhos, mas enfrentou dificuldades.
“Não foi fácil alcançar
isso. Quase que eu
não consigo porque a fila é
grande. Meus filhos ficaram
uma semana sem ir às aulas
por issoâ€, conta.
Na opinião de Diva, o Jardim
Ivone deveria ter uma escola
já que as crianças são
obrigadas a atravessar a rodovia
Bauru-Iacanga para freqüentar
as aulas em unidades
da Vila São Paulo e Pousada
da Esperança.
â€œÉ perigoso. Já era para terem
feito uma escola aqui no
bairro. Além disso, muitas
crianças que não conseguiram
vagas na Vila São Paulo
vão a pé, pela estrada, para a
escola do Nova Bauru. Só algumas
conseguem ônibusâ€,
afirma a moradora.
No Parque Real, a situação
também é complicada. A
maioria das crianças é transportada
para outros bairros
porque a região não dispõe de
vagas suficientes para atender a demanda.
Kátia Aparecida Santos de
Souza tem quatro filhos e está
desempregada por não conseguir
matricular três deles em
uma Escola Municipal de Educação
Infantil Integrada
(Emeii) - antiga creche municipal.
Apenas um freqüenta as aulas.
“Faz um ano que estou tentando e até
agora estou esperando. Eles dizem que eu
tenho que esperarâ€, destaca.
Assim como Kátia, seu marido também
está desempregado. A família vive de bicos e doações.
Colocar os filhos na escola seria uma esperança para
Kátia de melhorar a situação financeira da casa.
Creche
As crianças mais novas talvez
sejam o principal problema
dos bairros. As reclamações
de falta de vagas em creches
e Escolas de Educação Infantil
(Emeis) são freqüentes.
A Pousada da Esperança,
por exemplo, é um foco
de reclamações. De acordo
com o morador Romildo Alves
da Silva, a creche está
superlotada e as mães sofrem
com a situação. “Temos vagas
para 420 crianças e o
bairro teria uma necessidade
de 800 vagas. A demanda
reprimida é de, no mínimo,
400 vagasâ€, informa o morador.
“As mães sofrem porque
algumas não podem trabalhar,
outras têm de pagar pessoas
para olhar as crianças e
outras têm de se deslocar até a
Vila São Paulo para competir
por vagas na creche de láâ€,
acrescenta Silva.
Na Vila São Paulo, bairro
vizinho, o problema é semelhante.
Luzia Aparecida Mendonça
tem três filhos e diz
que nunca conseguiu vaga em
creche para eles.
Ela trabalhava como cozinheira
e teve de abandonar o
emprego para cuidar das crianças.
“Quando eu tive meu primeiro
filho foi assim. Nos outros
dois, a história se repetiu.
Eu nunca consegui vaga. Meu
nome e os nomes das crianças
estão sempre lá, mas eu nunca
fui chamada. Nunca, nunca,
nuncaâ€, frisa.
Luzia tentou pagar alguém
para olhar os filhos. Desta forma,
não precisaria deixar o
emprego. “Não compensava
eu trabalhar e ao mesmo tempo
pagar alguém para ficar
com as criançasâ€, diz.
Agora, com os filhos mais
velhos, ela conta que o grande
problema são as filas para conseguir
matriculá-los no ensino
fundamental. â€œÉ horrível
porque temos de deixar de fazer
muitas coisas para correr
atrás disso. Temos de amanhecer
na escola para conseguir
vaga. Temos de dormir no portãoâ€,
reclama a moradora.