Política

População reclama de deficiências

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

regiões da cidade, a população

reclama de falta de

vagas em escolas e creches.

Os que conseguem matricular

seus filhos reclamam de

filas que têm de enfrentar.

Daniel Gonzaga, 7 anos,

é um exemplo. O menino

mora no Jardim Ivone e não

está matriculado na escola.

Com seu tempo ocioso por

não ter atividades para desenvolver,

o menino passa o

dia brincando na rua de terra

ou no Lago da Quinta da Bela

Olinda, com colegas.

O pai dele, Luiz Gonzaga,

desempregado, afirma que já

visitou várias escolas da região,

mas não obteve sucesso

na procura de uma vaga para

que seu filho estude.

“O Daniel não está na escola

desde o início do ano porque

não consegue vaga. Aqui no

bairro eu não consegui, não

consegui no Bauru 2000 e em

nenhum lugar. Ele tem de ficar

em casa o dia inteiro”, lamenta.

Eva Ribeiro, outra moradora

do bairro, conta que é obrigada

a levar suas filhas a pé

para uma escola do Parque

Vista Alegre, diariamente,

por falta de vaga nas unidades

mais próximas.

“Não tem ônibus que leve

e eu não posso pagar porque

estou desempregada. Se abrissem

uma escola aqui perto seria

mais fácil”, sugere.

Shirley Narcisa, que também

mora no Jardim Ivone,

confirma que muitos de seus

vizinhos sofrem com o mesmo

problema. “A maior parte

das crianças do bairro fica

na rua por falta de vagas na

escola. A reclamação é geral.

Em todo o bairro você

vai ouvir isso que a gente está

falando”, destaca.

Já Diva Pereira de Almeida

conseguiu vaga para seus

cinco filhos, mas enfrentou dificuldades.

“Não foi fácil alcançar

isso. Quase que eu

não consigo porque a fila é

grande. Meus filhos ficaram

uma semana sem ir às aulas

por isso”, conta.

Na opinião de Diva, o Jardim

Ivone deveria ter uma escola

já que as crianças são

obrigadas a atravessar a rodovia

Bauru-Iacanga para freqüentar

as aulas em unidades

da Vila São Paulo e Pousada

da Esperança.

â€œÉ perigoso. Já era para terem

feito uma escola aqui no

bairro. Além disso, muitas

crianças que não conseguiram

vagas na Vila São Paulo

vão a pé, pela estrada, para a

escola do Nova Bauru. Só algumas

conseguem ônibus”,

afirma a moradora.

No Parque Real, a situação

também é complicada. A

maioria das crianças é transportada

para outros bairros

porque a região não dispõe de

vagas suficientes para atender a demanda.

Kátia Aparecida Santos de

Souza tem quatro filhos e está

desempregada por não conseguir

matricular três deles em

uma Escola Municipal de Educação

Infantil Integrada

(Emeii) - antiga creche municipal.

Apenas um freqüenta as aulas.

“Faz um ano que estou tentando e até

agora estou esperando. Eles dizem que eu

tenho que esperar”, destaca.

Assim como Kátia, seu marido também

está desempregado. A família vive de bicos e doações.

Colocar os filhos na escola seria uma esperança para

Kátia de melhorar a situação financeira da casa.

Creche

As crianças mais novas talvez

sejam o principal problema

dos bairros. As reclamações

de falta de vagas em creches

e Escolas de Educação Infantil

(Emeis) são freqüentes.

A Pousada da Esperança,

por exemplo, é um foco

de reclamações. De acordo

com o morador Romildo Alves

da Silva, a creche está

superlotada e as mães sofrem

com a situação. “Temos vagas

para 420 crianças e o

bairro teria uma necessidade

de 800 vagas. A demanda

reprimida é de, no mínimo,

400 vagas”, informa o morador.

“As mães sofrem porque

algumas não podem trabalhar,

outras têm de pagar pessoas

para olhar as crianças e

outras têm de se deslocar até a

Vila São Paulo para competir

por vagas na creche de lá”,

acrescenta Silva.

Na Vila São Paulo, bairro

vizinho, o problema é semelhante.

Luzia Aparecida Mendonça

tem três filhos e diz

que nunca conseguiu vaga em

creche para eles.

Ela trabalhava como cozinheira

e teve de abandonar o

emprego para cuidar das crianças.

“Quando eu tive meu primeiro

filho foi assim. Nos outros

dois, a história se repetiu.

Eu nunca consegui vaga. Meu

nome e os nomes das crianças

estão sempre lá, mas eu nunca

fui chamada. Nunca, nunca,

nunca”, frisa.

Luzia tentou pagar alguém

para olhar os filhos. Desta forma,

não precisaria deixar o

emprego. “Não compensava

eu trabalhar e ao mesmo tempo

pagar alguém para ficar

com as crianças”, diz.

Agora, com os filhos mais

velhos, ela conta que o grande

problema são as filas para conseguir

matriculá-los no ensino

fundamental. â€œÉ horrível

porque temos de deixar de fazer

muitas coisas para correr

atrás disso. Temos de amanhecer

na escola para conseguir

vaga. Temos de dormir no portão”,

reclama a moradora.

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