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Fome, um problema gigantesco


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O problema mundial da fome, além de uma vergonha para a humanidade, parece insolúvel, não só por falta de vontade, mas por um vasto leque de outras razões. Há cerca de cinco anos, a FAO, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, em conjunto com os países ricos, estabeleceu como meta que o número de famintos no planeta fosse reduzido de 840 milhões para 400 milhões até 2015. Hoje, a quantidade dos que passam privações é de cerca de 815 milhões, o que mostra que a projeção da FAO - como de resto toda e qualquer previsão - não se confirmou, pois o dinheiro que era necessário, US$ 24 bilhões, não tem sido entregue no ritmo combinado, pelas nações que haviam se comprometido a fazê-lo.

A meta certamente não será cumprida, pois em cinco anos só se conseguiu reduzir a pobreza absoluta em 25 milhões de indivíduos -ainda assim um feito e tanto. Apesar de ser uma quantia imensa para a maioria dos mortais, esses US$ 24 bilhões são muito pouco se forem comparados ao orçamento militar americano para 2005, da ordem de quase US$ 500 bilhões. Representa apenas 0,5% daquele valor que será utilizado para fins belicosos, uma tremenda injustiça.

Ainda otimista, a ONU acredita que atingirá a meta em 2040, novamente uma estimativa perigosa, dada a elasticidade temporal a que está subordinada tal previsão. Neste meio tempo, podem, e certamente surgirão, cataclismos que afetarão a produção de alimentos para os 6,2 bilhões de pessoas que compõem a totalidade da população terrestre (...)

Uma questão extremamente complexa, o combate à fome não pode ser feito através do puro assistencialismo, como tenta fazer o governo brasileiro através de seu programa Fome Zero, o qual mais aparenta ser um mero instrumento de exploração política do problema, numa nação onde 83 milhões de pessoas não têm sequer água potável. Não adiantaria distribuir recursos, ou entregar gêneros alimentícios diretamente a tantos quantos deles necessitam, e sim criar condições para que pudessem sustentar-se.

Charles Darwin, em sua Teoria da Evolução das Espécies, já havia constatado que, enquanto as populações crescem exponencialmente, os recursos naturais aumentam de maneira apenas linear, o que significa que o planeta nunca poderá prover em quantidade suficiente a demanda energética dos povos, até porque a reprodução humana não tem limites, ao passo que as reservas da Terra certamente são finitas (...)

Ironicamente, temos uma epidemia de obesidade nos países ricos e outra de desnutrição nos pobres. Sobram calorias em muitos cantos, onde gente vive lutando contra a balança e escasseiam em outros, onde se luta pela sobrevivência. Como não há possibilidade de instalarmos uma colônia em Marte, urge resolvermos a questão da fome, com medidas serenas, responsáveis e bem ponderadas, para que não tenhamos o mesmo destino de tantas espécies extintas que nos precederam. (O autor, Luiz M. Leitão da Cunha, é articulista para os países de língua portuguesa)

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