Já se sentia derrotado. Fizesse o que fizesse não conseguia conquistar votos e ainda via muitos votos certos seus migrando para o adversário. Era demais.
Convocou sua turma, colocou a questão e nada. Nenhuma idéia maravilhosa surgiu para reverter a situação. Estava quase na hora de jogar a toalha.
Naquele tempo não havia urna eletrônica. Nem cédula única. Cada eleitor entrava na cabine eleitoral e escolhia, dentre as cédulas de todos os candidatos, a cédula autenticada do seu preferido. Dobrava, levava à mesa eleitoral receptora para depositá-la na urna.
Convocou a imprensa e sua turma e, diante da perplexidade de todos, resolveu jogar a toalha. Não queria cédula sua nas cabines eleitorais.
Foi um burburinho de porquês? E o pré-derrotado revelando seu lado democrático justificou que era impossível derrotar seu concorrente. Não havia argumento que abalasse aquela candidatura vitoriosa, pois que o povo mesmo sabendo que seu concorrente carregava no bolso do paletó um vidrinho de álcool para desinfetar a mão que cumprimentava seus eleitores, não dava a mínima, não ligava para essa ofensa insuportável. Era demais.
A história - da retirada das cédulas da cabine e do vidrinho de álcool - espalhou como fogo em mato seco.
No dia da eleição, abastecidas as cabines eleitorais com cédulas de todos os candidatos, os eleitores mostraram para o candidato quase renunciante que não poderia eleger quem carregava vidrinho com álcool no bolso para desinfetar as mãos tocadas pelo povo. O candidato era bom, mas a ofensa era demais.
Contada por José Fernando da Silva Lopes