A greve dos bancários, que chega hoje ao oitavo dia e atinge cerca de 85% das agências de Bauru, expõe a dificuldade de uma parcela da população em operar os caixas eletrônicos. Desde que a categoria iniciou a paralisação, na última quarta-feira, os serviços foram suspensos na maior parte das agências da cidade e o auto-atendimento nos terminais tornou-se a única alternativa de operação dentro das unidades bancárias.
Para quem não tem intimidade com as máquinas, o processo é marcado por dificuldades. É o que atesta Doraci Maria Hernandes Barbosa, 67 anos, responsável pelo serviço bancário de uma loja de materiais da cidade. “Eu não sei mexer muito bem com a máquina, por isso, enfrento dificuldades. Antes, eu ia direto para o caixa, agora está sendo difícil demais”, relata. Na agência em que Doraci estava, a greve teve adesão total e nenhum funcionário permanecia ontem na sala de auto-atendimento para prestar orientações aos clientes.
A auxiliar de serviços gerais Carla Cristina da Silva também demonstrou dificuldades para efetuar o pagamento da fatura de seu cartão de crédito. “Eu queria depositar o dinheiro do cartão, mas não estou acostumada a depositar na máquina, então estou sofrendo a maior dificuldade”, afirma a auxiliar, reclamando da falta de funcionários para fornecer orientações.
Desacostumado com as salas de auto-atendimento, o metalúrgico Manoel Soares dos Santos, 59 anos, admite que tem procurado ajuda para utilizar os caixas eletrônicos desde que a greve teve início. “A gente não tem muita intimidade com a máquina, não sabe mexer, então tem que procurar ajuda. Mas nem sempre tem funcionários para ajudar, por isso fica superdifícil”, conta.
Representantes do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região alertam a população para não aceitar ajuda de estranhos nos terminais eletrônicos. Na falta de funcionários, a orientação é para que os clientes procurem auxílio apenas de pessoas de confiança. Caso contrário, podem tornar-se vítimas da ação de criminosos ou pessoas mal-intencionadas.
“Em caso de dificuldade, é bom o cliente procurar uma pessoa de confiança e não entregar a senha para ninguém”, orienta o diretor di sindicato José Francisco Martins.
Ele reconhece que ainda há, especialmente por parte dos idosos, dificuldades em operar os terminais. “Nós notamos, com a greve, que o cliente tem muito despreparo para usar o caixa eletrônico. Ele é muito acostumado a usar o caixa normal”, afirma.
Opinião semelhante compartilha Priscila Pelizadio, funcionária de uma agência central da cidade, que prestava ontem orientação aos clientes na sala de auto-atendimento. “Muitas pessoas não sabem mexer nas máquinas. Eu acredito que 80% dos usuários ainda têm dificuldades”, estima.
Abastecidos
Habituada a operar os caixas eletrônicos, a advogada Fernanda Lúcia de Sousa e Silva Goda afirma que ainda não sentiu os reflexos da greve dos bancários, já que o abastecimento dos terminais tem sido garantido em sua agência. “Eu estou utilizando os terminais e a Internet normalmente. Eu não tive ainda problema algum por conta da greve”, afirma a advogada, que pagou contas e sacou dinheiro ontem em um caixa eletrônico no Centro da cidade.
De acordo com o sindicato da categoria e representantes de bancos consultados pela reportagem, até ontem os terminais das agências não estavam enfrentando problemas de desabastecimento. “É um ou outro caixa (de postos de atendimento) que está tendo algum problema localizado, mas a maioria está funcionando normalmente”, diz Marcos Silvestre, diretor do sindicato. Ontem, segundo ele, somente o posto de atendimento da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP) apresentou problemas dessa natureza, até o fechamento desta edição.
Além dos caixas eletrônicos, os bancos oferecem a possibilidade de efetuar operações via Internet. Pagamentos de contas de água, luz, telefone, prestações da Cohab e impostos, entre outros serviços, podem ser feitos nas casas lotéricas.
Em Bauru, o movimento nos caixas eletrônicos das agências e nas lotéricas do Centro da cidade era bastante intenso ontem à tarde. “A fila aqui na lotérica cresceu muito nos últimos dias”, atesta a doméstica Leonice Piovisan, que antes da greve efetuava o pagamento de suas contas diretamente no caixa dos bancos.
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Continuidade
No início da noite de ontem, os bancários de Bauru e região aprovaram em assembléia a continuidade do movimento grevista. Reunião realizada entre a Executiva Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), ontem à tarde, não trouxe avanços na negociação salarial. Durante a reunião, de acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Marcos Silvestre, a Fenaban continuou sustentando a proposta de reajuste salarial de 8,5% - a mesma oferecida em assembléia da semana passada.
Os bancários reivindicam reposição salarial de 25%, participação de 15% no lucro bruto dos bancos, contratação de mais funcionários, estabilidade no emprego, entre outros benefícios.
A adesão ao movimento grevista atingia ontem cerca de 85% da categoria em Bauru. De 42 agências da cidade, 37 interromperam seus serviços, com exceção do atendimento nos caixas eletrônicos.
Segundo dados da Confederação Nacional dos Bancários, no País a paralisação já conta com a adesão de cerca de 200 mil bancários em 24 Capitais.