Bairros

Clima seco aumenta a ocorrência de choques

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Na novela “Senhora do Destino”, tornou-se rotina a ocorrência do choque eletroestático entre as personagens Jenifer e Eleonora, interpretadas pelas atrizes Bárbara Borges e Mylla Christie respectivamente. Como na ficção, o choque entre as pessoas é um fato comum, principalmente em dias de baixa umidade relativa do ar, o que causa a sensação de clima seco (leia mais abaixo).

O choque é provocado pelo atrito do corpo com materiais de grande eletrização, como carros e caminhões, que por sua vez, ficam eletrizados ao sofrer atrito com o ar quando estão em movimento. A baixa umidade do ar aumenta a capacidade de eletrização do automóvel, explica o físico bauruense Amilcar Costa.

“Quando o carro está eletrizado, as cargas elétricas ficam todas para fora do carro, é a chamada blindagem eletroestática. Então, por exemplo, quando a pessoa toca na parte externa do veículo, leva um choque”, diz Costa. Ele explica que quando alguém sai eletrizado de um carro e não descarrega essa carga elétrica, poderá causar choque em outra pessoa.

“Se o indivíduo estiver usando um tênis ou sapato de borracha - material isolante que guarda a energia elétrica - descarregará a eletrização em alguém”, detalha o físico. Por serem preferencialmente fabricados com solado de borracha, os tênis são os que mais causam armazenamento de carga elétrica.

Além da eletrização provocada por carros, outros aparelhos condutores de energia estática que estão em contato com o corpo podem facilitar a ocorrência de choques. Entre eles, televisores, secadores de cabelo e a maioria dos tecidos sintéticos. “A combinação desse tecido com o tecido do banco do carro pode causar eletrização”, detalha Costa.

Incômodo

A sensação de choque é constantemente sentida pelo farmacêutico Regis Lacerda Batista, 24 anos. Ele conta que há dois meses passou a sofrer choques constantemente, geralmente ao sair de seu carro ou a cumprimentar pessoas. “Já levei um choque quando cheguei ao trabalho. É uma coisa que incomoda na hora”, aponta.

O engenheiro Carlos Alberto de Godoy, 30 anos, concorda. “Sinto um incômodo na mão ao receber um choque. Geralmente quando o clima está seco, isso é mais freqüente”, diz. A auxiliar administrativo Ariane Regina Cequini, 28 anos, se assusta sempre que sente o choque. “Recebo choque na porta do carro, em maçanetas ou em tocar em outra pessoa. Às vezes, meu cabelo também fica eletrizado”, revela.

O físico esclarece que não há estudos comprovando se existem pessoas mais ou menos suscetíveis a receber de choques. “Isso depende de atitudes de cada um”, comenta. Para se evitar essa sensação, Costa recomenda a utilização de roupas de algodão e atenção na hora de sair dos veículos. “Quando a pessoa sair do carro, ela pode segurar a porta do veículo antes de colocar o pé para fora”, diz.

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Tendência de tempo

Além dos cuidados individuais, se a previsão do tempo para os próximos dias for confirmada deve diminuir a incidência dos choques eletroestáticos. A tendência é de elevação nos índices da umidade relativa do ar em Bauru, o que diminui o nível de eletrização dos carros. Ontem, a umidade relativa do ar mínima registrada foi de 38% segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Os índices de umidade do ar estão começando a subir gradualmente porque estamos entrando na estação chuvosa, que ocorre a partir da segunda quinzena de outubro”, explica a meteorologista do IPMet, Ana Beatriz Porto. As frentes frias começam a entrar e os valores de umidade passam a se elevar”, completa. Com a entrada da primavera, a a umidade relativa do ar deverá atingir a média de 60%.

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