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O que faz a primavera


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Atravessa o País o ciclo primaveril que muda tudo em torno da gente. As árvores transformam seus arbustos em folhas e flores de várias cores. E os corações se vêem povoados por alegrias e paixões, transformando sorrisos em namoros e até casamentos... Um assíduo leitor nos escreve relatando as emoções que o ciclo rotineiramente lhe reserva. Diz, então, ter uma prima que se chama Vera, revelando que ela recebeu de seus ascendentes a cor do sol e, por isso, tem a cútis clara e os cabelos loiros. Mas não só isso a faz bonita e querida, pois, além do mais, possui feições imensamente simpáticas e gestos educados. Tem tudo, então, para se assemelhar aos encantos da primavera, que aí está empolgando a todos com os seus profundos pendores.

Cabe-nos aduzir que também nós somos privilegiados pela estação, pois temos bem na frente de nossa vivenda, na Nações Unidas, exemplares dos belos ipês que enfeitam a famosa artéria. Despertam eles bem cedo, antes que os raios solares surjam no horizonte. E ali ficam esperando, com largas amostras de sorrisos, os pássaros que pousam em seus galhos para cantar as suas parceiras, induzindo-as às suas almejadas transas. Que sugestivo espetáculo transmitem os ipês aos moradores e, então, realçam a nobreza da primavera, permitindo não apenas que se coloque seu carinhoso nome (Vera) nas meninas que nascem por ocasião de seu auspicioso advento como faz com que suas manifestações artísticas se sobressaiam no cenário da natureza, com o que ajudam na vida que se tem pela frente e que não pode deixar de ser continuada indefinidamente até quando possa.

Salve, por isso, a douta primavera, representada não somente pelos ipês dos jardins e das avenidas como por tantos outros tipos de arbustos, como as irmãs da encantadora copaíba, que a cidade admira na Getúlio Vargas. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado). “O mundo é daqueles que sonham viver em castelos e realmente vivem. É daqueles que sonham construir pontes e as atravessam. É daqueles que, mesmo sem motivo, dão motivos, para que os outros se apaixonem por eles”.

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