Economia & Negócios

Greve deixa trabalhador sem FGTS

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Com a greve dos bancários, que já completa hoje nove dias, as agências da Caixa Econômica Federal (CEF) de Bauru não estão recebendo as solicitações de saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Sem dar entrada no benefício, o trabalhador não consegue retirar o dinheiro e tampouco requerer o Seguro-Desemprego no Ministério do Trabalho (MT). Isso porque, para que a solicitação seja feita no órgão, é necessário apresentar o comprovante de saque do FGTS.

Antes da greve, a agência central da CEF, na rua Gustavo Maciel, recebia diariamente uma média de 100 solicitações de saque do benefício, segundo informações do diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Admilson Canuto. A assessoria de imprensa do banco não soube dar informações sobre o assunto.

Para quem já deu entrada no pedido e possui o Cartão do Cidadão, o saque de benefícios sociais como o FGTS (até R$ 300,00) e Seguro-Desemprego está sendo realizado nos caixas eletrônicos das agências da CEF. Além disso, também o dinheiro proveniente do Programa de Integração Social (PIS) e Bolsa-Família pode ser sacado nos terminais.

“A pessoa pode receber o PIS e Seguro-Desemprego se tiver o Cartão do Cidadão. Se ela não tiver, vai ter de aguardar necessariamente o final da greve”, diz um gerente do banco, que preferiu não ser identificado.

Também as pessoas que já solicitaram os benefícios mas ainda não possuem o cartão magnético estão enfrentando dificuldades. Isso porque, na CEF, a possibilidade de saque direto no caixa está suspenso com a greve.

O Cartão do Cidadão, que substitui o antigo Cartão do Trabalhador, é solicitado gratuitamente nas agências da Caixa Econômica Federal. Com ele, o trabalhador pode ter informações e sacar benefícios sociais.

A distribuição dos cartões é feita pelos Correios e não está sendo comprometida com a greve, de acordo com a assessoria de imprensa da CEF. Entretanto, a solicitação do cartão deve ser realizada diretamente nas agências do banco e, com o movimento grevista, o procedimento está suspenso.

Sem sucesso

Na agência central da CEF, o desempregado Denis Daniel dos Santos, 18 anos, tentou dar entrada ontem no FGTS, mas foi orientado por funcionários a voltar após o término da greve.

Santos pretendia sacar cerca de R$ 300,00 do fundo e dar entrada no Seguro-Desemprego no Ministério do Trabalho.

“Agora eu tenho que esperar a greve acabar. Vai complicar tudo porque esse dinheiro seria muito importante para mim, que estou desempregado e tenho crianças para sustentar”, afirma. As agências da CEF são os únicos pontos autorizados a receber a solicitação de saque do FGTS.

Também na tarde de ontem, Luis Gustavo Máximo, 26 anos, tentou, sem sucesso, sacar o Seguro-Desemprego na agência. “Eu fiz o pedido do Cartão do Cidadão há cerca de dois meses, mas ele não chegou ainda. Por isso não consegui a primeira parcela do Seguro-Desemprego”, lamenta.

A assessoria de imprensa da CEF, em Brasília, confirmou ontem que as agências que aderiram totalmente à greve não estão recebendo as solicitações do FGTS ou realizando o pagamento do PIS e Seguro-Desemprego diretamente nos caixas. A assessoria não soube precisar o número de agências que estariam nesta situação.

O diretor do sindicato dos bancários afirma que a greve teve adesão total nas quatro agências e no Posto de Atendimento Bancário (PAB) da Caixa em Bauru. “Portanto as agências estão fechadas para o público. (...) Quem for dar entrada no FGTS, receber o PIS (diretamente no caixa), não vai conseguir porque as agências não estão realizando esses serviços”, esclarece Canuto.

O diretor afirma que a população pode aguardar o término da greve, sem risco de perda dos benefícios, ou dar entrada no FGTS em qualquer agência da Caixa, que não aderiu ao movimento. A mais próxima na região, segundo ele, seria a de Marília.

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Indeterminado

Em nova assembléia realizada ontem à tarde no Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, a categoria decidiu pela continuidade da greve por tempo indeterminado.

Os bancários reivindicam reposição salarial de 25%, mas a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) oferece 8,5%. A adesão ao movimento grevista atinge cerca de 85% da categoria em Bauru, segundo o sindicato. De 42 agências da cidade, 37 interromperam seus serviços, com exceção do atendimento nos caixas eletrônicos.

• Serviço

A CEF coloca à disposição dos clientes o telefone 0800-5740101 para informações.

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