A proposta de reajuste salarial médio de 14,57% feita pelo Tribunal de Justiça (TJ) não foi suficiente para convencer os servidores do Poder Judiciário paulista a voltar ao trabalho. Ontem à tarde, em assembléia realizada na Praça João Mendes, na Capital, eles recusaram a oferta e, com isso, a paralisação entra hoje em seu 87.º dia.
O servidor Peter Charles Gavaldão, que integra o comando de greve em Bauru e participou da assembléia ontem, diz que o índice proposto pelo TJ não foi o único fator que levou a categoria a manter o movimento. “Muitos outros detalhes não foram apreciados pelo Tribunal”, comenta.
Segundo ele, um dos pontos que mais irritou a categoria foi a exigência do TJ para que parte dos dias parados fosse trocada por férias ou licenças-prêmio. “A impressão é que o Tribunal não tem interesse em realizar mutirões para repor o serviço”, diz.
Gavaldão afirma que assembléias regionais de servidores estão sendo agendadas para os próximos dias e um encontro estadual está programado para a próxima quarta-feira, na Capital. Em Bauru, os grevistas devem se encontrar hoje para discutir o movimento, em horário a ser confirmado pela manhã.
Contra-ataque
Anteontem, o TJ anunciou que a rejeição do reajuste de 14,57% implicaria na abertura de processos administrativos por abandono de emprego e no desconto dos dias parados. “Tudo isso foi pesado e medido, mas ainda assim a categoria decidiu continuar em greve”, afirma Gavaldão.
A reivindicaçação inicial dos grevistas era um reajuste de 39,19%, mas em junho eles aceitaram contraproposta do TJ de 26,39%. O índice, porém, não foi aplicado, fato que motivou o início da paralisação.
O diretor do Fórum de Bauru, juiz Jaime Ferreira Menino, afirma que somente a realização de um levantamento poderia quantificar o número de processos parados no órgão. Ele calcula, porém, que se a greve terminasse hoje seria preciso um período de seis a oito meses para que as atividades voltassem ao normal.