Quando escrevi que São Paulo possui 2.110 restaurantes arrisquei-me a ficar desatualizado na hora. É um número em constante mutação e a cidade é considerada uma das maiores mesas do planeta. Fiel à sua vocação - a praia do paulistano é o restaurante - o Mercado Municipal acaba de ser reaberto com mezanino de madeira e vidro para abrigar oito restaurantes. Enquanto isso, você pode ir comendo os pastéis de bacalhau ou sanduíches de mortadela enquanto admira os vitrais do artista russo Conrado Sorgenicht.
Cosmopolita de raiz, São Paulo se acostumou a experimentar, junto com os pratos da terra ou da culinária ocidental, os sabores mais exóticos. Em São Paulo, vivem brasileiros de todos os Estados. Assim, ao lado de clássicos da cozinha nacional, a exemplo de churrascos, festival de carnes cuja fartura costuma impressionar os visitantes estrangeiros, e feijoadas, alquimia gastronômica que surpreende pela originalidade e sabor, não é difícil encontrar especialidades baianas, capixabas, mineiras, paraenses ou, de uma maneira geral, nordestinas. São Paulo é a maior cidade nordestina do Brasil. Tem mais baianos do que em Salvador.
Há ainda a culinária italiana, com endereços simples até os mais sofisticados. Nos últimos anos o número de sushi-bares superou o das churrascarias. E restaurantes franceses, alemães, espanhóis, árabes, escandinavos, espanhóis, etc. E as pizzarias? Há mais variedades do que na própria Itália. Mas você pode escolher de um simples fast-food ao italianíssimo tortelloni de abóbora e amêndoas; ou o clássico francês coq au vin; quem sabe o nipônico tsubo yaki. Há que viver muito para provar o mais representativo passando por pratos alemães (schlachplatte), argentinos (parrillada), chineses (frango com gengibre), espanhóis (paella valenciana) e portugueses (chanfana de carneiro). Bom apetite.