Regional

Recém-nascida morre por asfixia em Jaú

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - Uma mulher de 26 anos, cuja identidade não foi fornecida pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), foi presa em flagrante anteontem em Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru) acusada de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Ela é suspeita de provocar a morte da própria filha - um bebê aparentemente normal, que nasceu pesando 3,5 quilos. A criança foi encontrada já sem vida por policiais do Corpo de Bombeiros dentro de um cesto de lixo, no banheiro de uma residência no Jardim Carolina, anteontem.

Ela estava enrolada em um cobertor dentro de um saquinho de supermercado. Os policiais levaram a criança até o Pronto-Socorro da Santa Casa, mas lá chegou já sem vida.

De acordo com a delegada Alessandra Aparecida Tiritan de Souza, a mãe teria alegado que queria se livrar da criança porque a família não sabia de sua gravidez. Por ser uma pessoa obesa, a acusada conseguiu dissimular a gestação durante os nove meses.

O parto, segundo relatou a delegada, foi feito pela própria gestante. Por ter trabalhado como técnica de enfermagem na maternidade da Santa Casa, ela sabia as formas necessárias para o nascimento da criança e acabou por fazer o serviço sozinha, dentro da própria casa. O estranho, segundo informou a delegada, é que ninguém da família ouviu nada. Além da jovem, moram na casa a mãe dela, dois irmãos e outros dois filhos.

De acordo com a jovem, as dores do parto começaram por volta das 3h de anteontem e cerca de três horas mais tarde deu à luz. Ela disse ter cortado o cordão umbilical da criança, mas não deu o nó para estancar o sangramento.

Antes de enrolar o bebê no cobertor, a jovem disse ter colocado-o dentro de uma blusa, dificultando ainda mais a respiração. Depois disso, fechou o saquinho plástico e colocou no cesto de lixo.

Com muita dor e sofrendo de hemorragia, ela foi deitar, mas duas horas depois decidiu procurar um médico para cuidar do sangramento que não parava. No hospital, informou que estava em processo de aborto, mas os exames teriam apontado que ela estava mentindo.

Quando ela decidiu falar a verdade, já havia se passado cerca de uma hora. Os policiais do Corpo de Bombeiros foram acionados, mas chegaram tarde demais para salvar a criança.

De acordo com o exame necroscópico, apesar do cordão umbilical aberto, a morte não foi por hemorragia, mas por asfixia, provavelmente por ter ficado tanto tempo dentro de um cesto fechado e enrolada em tecidos grossos.

Ontem, a jovem recebeu alta do hospital e foi encaminhada direto para a Cadeia Pública Feminina de Dois Córregos, onde deverá aguardar julgamento por homicídio qualificado (pena de 12 a 30 anos) e ocultação de cadáver (pena de 1 a 3 anos). Segundo a delegada, a decisão deverá ser tomada por um júri popular.

Em sete anos como delegada da DDM, Alessandra disse que é a primeira vez que investiga um caso semelhante em Jaú. Ela tem dez dias para concluir o inquérito.

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