Cultura

Filme tem imagens inéditas

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 1 min

Nem tudo é novidade ou de se espantar em “Fahrenheit 11 de Setembro”, mas Moore consegue concatenar todos os fatos e idéias de uma maneira que coloca as pessoas para pensar (reside aí sua fama de manipulador e, afinal, não são assim todos os diretores?). Além disso, como já tinha feito em “Columbine”, ele exibe imagens que fazem com que você pergunte: “como ele conseguiu isso” o tempo todo. São assim as cenas de Bush na escolinha da Flórida, ao ser informado do segundo ataque às torres gêmeas, ou do presidente jogando golfe em suas intermináveis férias.

Não é à toa que a revista Veja, quando publicou uma matéria sobre o filme, na época do seu já longínquo lançamento no Brasil, em julho deste ano, colocou um texto em destaque no qual se especulava (numa brincadeira de deixar com a pulga atrás da orelha) se Moore não seria um agente da CIA, ou de qualquer outro órgão do tipo, cuja missão seria especialmente atazanar a vida do presidente.

Os críticos de Moore dizem que ele é aparecido, falastrão e manipulador demais, no que não deixam de ter razão. Mas o cinema precisa de gente como ele para chacoalhar as coisas de vez em quando. Já imaginou se todos fossem “escoteiros” e patriotas como Spielberg?

Morgan Spurlock, diretor de “Super Size Me”, documentário sobre (e contra) a rede McDonald’s, diz que todos precisamos de Moore. “Ele prova que o documentário é a última fronteira da expressão livre, neste mundo global dominado pelas grandes corporações.” Está certinho.

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