A tempestade fizera estragos. As partes mais baixas da cidade inundaram. Muito transtorno e grande prejuízo.
Comoção geral na sessão da Câmara. O líder do prefeito se explicava. Tudo fora feito para evitar inundações. Muitas obras invisíveis, cobertas pela terra. Mas a lei da gravidade era inexorável. Diante dela nada havia que pudesse proteger as baixadas.
O aparte veio fulminante e indignado: - Eu gostaria de saber por que Vossa Excelência, como líder do prefeito ou, então, o próprio prefeito não propõe a revogação dessa desgraçada lei, que tanto infelicita os moradores de nossas baixadas. Desde logo garanto os votos da oposição. Afinal, aqui estamos para servir o povo!
A resposta foi pronta e provocativa: - Por acaso e se entendi bem Vossa Excelência acha sinceramente que o prefeito, este seu líder ou mesmo nosso augusto plenário tem competência para propor a revogação e revogar a lei da gravidade?
O troco foi dado sem estardalhaço, mas com firmeza e uma pontinha de sarcasmo:
- Evidentemente, não! Apenas desejei revelar e enfatizar mais uma vez para nosso infeliz e sofrido povo que as forças políticas da situação por qualquer coisinha já tem a desculpa pronta na ponta da língua invocando que o caso é de lei nacional. Sempre a mesma esfarrapada desculpa! Basta!
História foi contada por José Fernando da Silva Lopes