As vendas de carros bicom-bustíveis não param de crescer e já são responsáveis por quase 20% do mercado. Por isso, desde seu lançamento, em março de 2003, os veículos flexíveis têm se tornado terreno fértil para a criatividade de vendedores, frentistas, mecânicos e, principalmente, consumidores. Muitos têm na ponta da língua uma série de “lendas” e dúvidas referentes a utilização dos dois combustíveis.
O vendedor Oneir Caçador, que atua em uma concessionária bauruense, confirma não serem poucos os consumidores com dúvidas sobre o funcionamento dos flex. Ele afirma que as mais comuns referem-se sobre o tanque de combustível e a maneira de utilização do álcool e da gasolina. “Dos que perguntam sobre isso, 90% querem saber se o automóvel conta com dois tanques ou se há necessidade de usar um combustível primeiro para depois abastecer com outro”, frisa.
Nestes dois casos, conforme o engenheiro mecânico bauruense César Roberto Cruz, nenhum deles é verdadeiro. Ele explica que não há motivos para um veículo bicombustível ter dois tanques. “Por várias razões, as montadoras desenvolveram a tecnologia para os veículos rodarem com os dois combustíveis em um mesmo tanque”, enfatiza.
Uma delas, acrescenta Cruz, é o fator peso. “Um tanque extra demandaria mais quilos para carregar, o que seria ruim para o consumo”, diz o engenheiro. “Além disso, como a maioria dos carros atuais são compactos, onde ele poderia ser colocado sem comprometer a segurança dos ocupantes?”, questiona.
A outra dúvida “que não quer calar” – o uso conjunto do álcool e da gasolina - também não deve fazer o consumidor “esquentar” a cabeça na hora de adquirir um veículo flex. “Os carros bicombustíveis funcionam sem problemas com qualquer proporção da mistura álcool/gasolina ou com apenas 100% de um ou outro, pois o sistema vem pronto para operar nessas condições”, salienta o engenheiro. “Por isso, não tem sentido utilizar um primeiro para depois abastecer com outro”, complementa.
Cruz aproveita, ainda, para desfazer outros “mitos” criados sobre os motores flexíveis. O principal deles é que o equipamento não requer cuidados especiais. “Eles seguem as manutenções recomendadas pelos fabricantes normalmente”, diz o engenheiro.
“Também não é verdade que, por envolver uma tecnologia nova e moderna, os custos da manutenção sejam maiores. Isso porque a base dos reparos é feita no sistema de injeção eletrônica, o que demanda mão-de-obra já existente no mercado para efetuá-los”, conclui Cruz.
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Como funciona o sistema
Após o abastecimento do veículo, a bóia do tanque identifica que o seu conteúdo foi alterado. Desta forma, o módulo central eletrônico (ECM - Engine Control Module) que está monitorando o sistema entra em modo de reconhecimento.
Durante a queima da nova mistura, um sinal do sensor de oxigênio é enviado para o ECM, que determina através de algoritmos qual é a nova mistura de combustível existente no tanque centenas de vezes a cada segundo. Com isso a quantidade e o tempo de injeção de combustível são acertados instantaneamente.
O software da unidade de controle otimiza também o avanço de ignição do motor para cada mistura de combustível através da leitura do sensor de detonação.
Da Redação
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Você sabia que...
Proprietários de carros bicombustíveis podem escolher qual o combustível mais viável financeiramente para utilizar através de uma conta simples de matemática? Para isso, basta dividir o preço do álcool pelo da gasolina e multiplicar o resultado por 100. Se o resultado for superior a 70, é mais econômico usar gasolina; se for inferior a 70, opte pelo álcool;
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os veículos flex deverão representar até 70% das vendas no País no ano que vem?
Não é verdadeira a alegação de que carros bicombustíveis que rodam pouco devem utilizar somente gasolina? O álcool pode ser utilizado sem problemas, tanto pelo carro que fica mais tempo parado como pelo que passa o dia inteiro em movimento