Tribuna do Leitor

Escândalo das loterias


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Infelizmente, aqui no Brasil o povão continua sendo cobaia dos espertalhões da nossa sociedade. Esse tipo de gente para levar vantagem vende até a mãe e coloca na lata do lixo da insensibilidade social toda ética e a moral possível. Tornou-se fato concreto uma coisa que muitas pessoas desconfiavam mas não tinham provas e o tempo se encarregou de mostrar a verdade nua e crua. Aqui no nosso país existe a máfia das loterias.

Pasmem, senhores e senhoras, desde março de 1996 e até meados de fevereiro de 2003, um grupo de 200 pessoas acertaram 9.095 vezes em loterias da Caixa Econômica Federal. Dessas 200 pessoas, cada uma já ganhou mais de 40 vezes nas loterias e inclui-se aí a Mega-Sena, a Quina, a Esportiva, a Instantânea, a Lotomania, a Super-Sena e a Loteria Federal. Esses “sortudos e felizardos” constituem-se de políticos, autoridades e gente das elites.

A patifaria e a fraude são tão escancaradas que um deputado federal, o Francisco Garcia, do Partido Progressista, ganhou junto com seu filho 43 vezes em 21 jogos diferentes das modalidades citadas acima. O delegado de Polícia Civil Luís Ozilak Nunes da Silva, da Delegacia de Capturas da capital paulista, também deve ser auxiliado por forças sobrenaturais. O abençoado jogou 17 vezes nos concursos e ganhou dezessete vezes. Sete bilhetes da Mega-Sena, três da Federal, dois da Esportiva, dois da Instantânea, dois da Lotomania e um da Super-Sena.

Se você está indignado é porque você não conhece o apostador paulistano que ganhou 353 vezes em todas estas loterias. Trata-se do comerciante Amauri Gouveia, com certeza um ungido e batizado pelas “ondas eletromagnéticas da vitória e da sorte”. O genérico de Gastão (patos Donalds somos todos nós que acreditamos que os sorteios eram sérios), ganhou 96 vezes na Quina, 33 vezes a Mega-Sena, 25 vezes a Loteria Federal e 9 vezes a Loteria Esportiva. Na Raspadinha foram 8 vezes. E para dizer que não falei das flores, os seus dois irmãos, Alécio Pedro e Adilson Gouveia, ganharam um 332 vezes e o outro 297 vezes. Aliás, o comerciante ganhou em outras modalidades, porém só as citadas foram divulgadas.

Também não poderia esquecer do deputado federal Fernando Lúcio Giacobo, do Partido Liberal, sorteado 12 vezes em apenas 8 concursos. 3 da Mega-Sena, 3 da Quina e 2 da Loteria Federal.

Mas há luz no fim do túnel, mesmo porque o Ministério Público Federal e a Polícia Federal já instauraram inquéritos para averiguarem que “milagre” é este que ocorre com estes eternos 200 ganhadores das loterias.

A nós, pobres e simples mortais, só cabe lamentar, ficarmos nervosos e esperar. Termino esta missiva com uma autêntica cara de bundão que insiste em acreditar no inacreditável. Não estou duvidando da “sorte” de ninguém e muito menos desestimulando as pessoas jogarem. Até porque, vez ou outra alguém do povo ganha e isto ajuda a manter o mito da coisa séria.

Enquanto todo mundo quiser levar vantagem ilícita neste país, sempre estaremos resignados à desgraça social eterna. Meus míseros trocados ninguém mais pega. De tonto só tenho a cara e o jeito de andar.

PS - Os vereadores de Bauru deveriam discutir e votar o subsídio dos salários no início do mandato e não faltando poucos dias para as eleições. Isso soa oportunismo, hipocrisia e demagogia. (Pedro Valentim - RG 19.198.011-0)

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