Uma vez por semana,
eles tiram o carro da garagem
durante a madrugada e acordam
mais cedo com a movimentação
na rua. De manhãzinha,
cores, pessoas e sons variados
tomam conta do quarteirão.
É dia de feira. Quem
mora em frente a uma das 26
feiras de rua de Bauru tem de
se adaptar à rotina diferente.
Alguns já se acostumaram.
Outros, entretanto, ainda fazem
críticas.
Muitas vezes sem conhecimento
da polêmica regulamentação
das feiras livres de Bauru,
os vizinhos mais críticos tocam
em pontos pertinentes à documentação
que está sendo discutida
entre a Secretaria Municipal
de Agricultura e Abastecimento
e a Associação dos Feirantes
de Bauru.
Limpeza, horários e barulho
estão entre os mais freqüentemente
citados. Aparecido
José do Nascimento,
morador do Jardim Redentor,
vive há 31 anos em uma
casa localizada na rua da feira
livre. Ele afirma que gosta
do ambiente e que já se
tornou amigo dos feirantes.
Mesmo assim, confessa que
ainda não se acostumou totalmente
à rotina das sextas-feiras
de manhã.
Logo cedo, ele acorda
quando os trabalhadores começam
a montar suas barracas.
Outro problema para ele
é deixar o carro na rua durante
a madrugada anterior.
“Quando eu preciso sair
com o carro de manhã eu tenho
que colocá-lo na rua. Corro
o risco de alguém levar
meu carro”, explica.
Quem passa na rua logo
após o almoço, quando as
barracas já foram desmontadas,
geralmente sabe que ali
foi realizada uma feira poucas
horas antes, mesmo não
conhecendo o bairro. Os restos
de papel e alimentos que
sobram nas calçadas e sarjetas
são os principais alvos
de reclamações dos vizinhos.
Mesmo daqueles que gostam
do movimento.
É o caso de Terezinha Ribeiro,
que mora nos Altos da
Cidade. “Tem dias em que a
rua fica muito suja. O certo é
ter pessoas para limpar. Se
eles não limpam, a gente tem
de limpar”, expõe.
Waldemar Ferraz de Campos,
outro morador dos Altos
da Cidade, já tornou-se amigo
dos feirantes, aos quais cede o
banheiro de casa em dia de feira
em frente à sua casa.
Antigamente, ele confessa
que a feira atrapalhava mais
porque ele levava a neta para
a escola logo cedo e era obrigado
a tirar o carro da garagem
durante a madrugada.
O barulho também era outro problema,
quando ele dormia
num quarto próximo ao portão
da residência.
Hoje, Waldemar não tem
de levar a neta à escola e mudou-
se para um quarto nos
fundos do terreno. Por isso,
afirma não ter críticas. Exceto
pela limpeza.
“Os feirantes deixam a rua
em bom estado. Eles varrem
depois da desmontagem. Mas
antes a prefeitura fazia a limpeza
e hoje não”, argumenta.
Marli Cacciola de Almeida
concorda. “Antigamente,
passava o caminhão da prefeitura
e fazia a limpeza. E faz
muitos anos que isso não acontece
mais”, diz.
Quanto aos feirantes, ela
não tem críticas. “Mesmo que
o barulho fosse uma coisa cansativa,
eu sei que eles estão
aqui para trabalhar. É uma maneira
de ganhar a vida. Então,
tudo bem. Não tem problema”,
afirma.
Marli aproveita a manhã
de feira para ir às compras praticamente
sem sair de casa.
“Para mim é ótimo e fica mais
prático fazer a compra aqui.
Eu prefiro aqui do que no mercado”,
destaca.
“A gente encontra pessoas
e ficamos amigos dos feirantes”,
acrescenta.
Para Nair Fígaro de Almeida,
a feira melhorou em determinados
aspectos. “Antigamente
eles chegavam jogando
paus de barracas e caixotes.
Agora não. Chegam quietinhos.
Está muito bom”, frisa.
Mas a limpeza continua
sendo problema. “A gente deixa
limpo. Mas quando a feira
acaba está aquela sujeira. Não
sei se é obrigação dos feirantes
ou se é da prefeitura”, diz.
Recentemente, a Prefeitura
de Bauru suspendeu o serviço
de limpeza das feiras realizadas
aos domingos para reduzir
gastos com horas extras de
funcionários, conforme publicado
pelo Jornal da Cidade.
Diante das reclamações que
surgiram, o trabalho foi retomado
aos domingos.
O serviço é realizado pela
Secretaria Municipal das Administrações
Regionais (Sear). O titular da pasta, Arlindo
Figueiredo, não foi localizado
para falar sobre o problema
da limpeza das feiras livres
de Bauru realizadas durante
a semana. Ele não retornou
às ligações da equipe de reportagem.