Bairros

Moradores fazem críticas às feiras

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

tomam conta do quarteirão.

É dia de feira. Quem

mora em frente a uma das 26

feiras de rua de Bauru tem de

se adaptar à rotina diferente.

Alguns já se acostumaram.

Outros, entretanto, ainda fazem

críticas.

Muitas vezes sem conhecimento

da polêmica regulamentação

das feiras livres de Bauru,

os vizinhos mais críticos tocam

em pontos pertinentes à documentação

que está sendo discutida

entre a Secretaria Municipal

de Agricultura e Abastecimento

e a Associação dos Feirantes

de Bauru.

Limpeza, horários e barulho

estão entre os mais freqüentemente

citados. Aparecido

José do Nascimento,

morador do Jardim Redentor,

vive há 31 anos em uma

casa localizada na rua da feira

livre. Ele afirma que gosta

do ambiente e que já se

tornou amigo dos feirantes.

Mesmo assim, confessa que

ainda não se acostumou totalmente

à rotina das sextas-feiras

de manhã.

Logo cedo, ele acorda

quando os trabalhadores começam

a montar suas barracas.

Outro problema para ele

é deixar o carro na rua durante

a madrugada anterior.

“Quando eu preciso sair

com o carro de manhã eu tenho

que colocá-lo na rua. Corro

o risco de alguém levar

meu carro”, explica.

Quem passa na rua logo

após o almoço, quando as

barracas já foram desmontadas,

geralmente sabe que ali

foi realizada uma feira poucas

horas antes, mesmo não

conhecendo o bairro. Os restos

de papel e alimentos que

sobram nas calçadas e sarjetas

são os principais alvos

de reclamações dos vizinhos.

Mesmo daqueles que gostam

do movimento.

É o caso de Terezinha Ribeiro,

que mora nos Altos da

Cidade. “Tem dias em que a

rua fica muito suja. O certo é

ter pessoas para limpar. Se

eles não limpam, a gente tem

de limpar”, expõe.

Waldemar Ferraz de Campos,

outro morador dos Altos

da Cidade, já tornou-se amigo

dos feirantes, aos quais cede o

banheiro de casa em dia de feira

em frente à sua casa.

Antigamente, ele confessa

que a feira atrapalhava mais

porque ele levava a neta para

a escola logo cedo e era obrigado

a tirar o carro da garagem

durante a madrugada.

O barulho também era outro problema,

quando ele dormia

num quarto próximo ao portão

da residência.

Hoje, Waldemar não tem

de levar a neta à escola e mudou-

se para um quarto nos

fundos do terreno. Por isso,

afirma não ter críticas. Exceto

pela limpeza.

“Os feirantes deixam a rua

em bom estado. Eles varrem

depois da desmontagem. Mas

antes a prefeitura fazia a limpeza

e hoje não”, argumenta.

Marli Cacciola de Almeida

concorda. “Antigamente,

passava o caminhão da prefeitura

e fazia a limpeza. E faz

muitos anos que isso não acontece

mais”, diz.

Quanto aos feirantes, ela

não tem críticas. “Mesmo que

o barulho fosse uma coisa cansativa,

eu sei que eles estão

aqui para trabalhar. É uma maneira

de ganhar a vida. Então,

tudo bem. Não tem problema”,

afirma.

Marli aproveita a manhã

de feira para ir às compras praticamente

sem sair de casa.

“Para mim é ótimo e fica mais

prático fazer a compra aqui.

Eu prefiro aqui do que no mercado”,

destaca.

“A gente encontra pessoas

e ficamos amigos dos feirantes”,

acrescenta.

Para Nair Fígaro de Almeida,

a feira melhorou em determinados

aspectos. “Antigamente

eles chegavam jogando

paus de barracas e caixotes.

Agora não. Chegam quietinhos.

Está muito bom”, frisa.

Mas a limpeza continua

sendo problema. “A gente deixa

limpo. Mas quando a feira

acaba está aquela sujeira. Não

sei se é obrigação dos feirantes

ou se é da prefeitura”, diz.

Recentemente, a Prefeitura

de Bauru suspendeu o serviço

de limpeza das feiras realizadas

aos domingos para reduzir

gastos com horas extras de

funcionários, conforme publicado

pelo Jornal da Cidade.

Diante das reclamações que

surgiram, o trabalho foi retomado

aos domingos.

O serviço é realizado pela

Secretaria Municipal das Administrações

Regionais (Sear). O titular da pasta, Arlindo

Figueiredo, não foi localizado

para falar sobre o problema

da limpeza das feiras livres

de Bauru realizadas durante

a semana. Ele não retornou

às ligações da equipe de reportagem.

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