Si
Nossa história começou totalmente diferente. Começou com um soco no rosto.
Naquela danceteria, inverno de 1988, onde sem querer você me acertou um soco e foi me pedir desculpas. Ali começou o nosso amor. Foram tantas descobertas, tantos beijos juntos com as lágrimas de emoção. Foi um verdadeiro amor. Foi com você que descobri o que é ser mulher e ser amada.
Era um sentimento mágico, completo, não importava o mundo, só precisávamos estar juntos. Mas foi aí que começou as suas viagens. Você trabalhava fora da cidade e vinha a cada 15 dias. Quando você chegava era como se o mundo parasse, mas começou a me fazer falta a sua presença. Eu queria ter o meu grande amor ao meu lado. Eu não queria ser a solitária, junto dos amigos, e ao mesmo tempo nunca soube trair. Sempre pensei “melhor terminar que trair”.
Chorei muito, pedindo para você ficar na cidade, ou me levar junto. Você não me atendeu, me pediu para ter paciência pois nós éramos muito novos. Eu tinha 18 e você apenas 20.Mas não tive paciência, terminei e fui à procura de novos amores, como se fosse possível.
Depois de alguns meses, dezembro de 1989, você apareceu me dizendo que não ia viajar. Que seria a última viagem. Eu não acreditei e disse: “Quando você voltar, nós conversaremos”, você tentou me beijar e eu não deixei.
Passaram-se 15 anos para que nos encontrássemos de novo, em julho de 2004, num ponto de ônibus. O meu coração quase parou, nos abraçamos como grandes amigos, mas nem eu, nem você queríamos nos desvencilhar daquele abraço. Dei o meu telefone e você me ligou. Combinamos de nos ver no dia seguinte. Foi um encontro cheio de muitas recordações, muitas lágrimas, muitas perguntas. Queríamos uma máquina do tempo para podermos voltar e fazer tudo diferente.
Nestes 15 anos, eu me casei procurando um grande amor, mas não o encontrei, me separei e estou sozinha, pois descobri que não podemos manipular os sentimentos.
Você também se casou, separou, casou de novo, tudo à procura de um grande amor... Achou! Hoje, é um homem casado e impossível para mim. Os nossos sentimentos? Ainda existem, mas há muitas vidas entre nós.
Passaram-se 15 anos e meu amor por você não morreu, somente adormeceu... Você continua sendo o meu “Menino Maluquinho”. Hoje, o amor virou dor, a dor de não poder te toca. A dor de não poder ter você para mim. Espero que esta dor também adormeça e fiquem somente as boas lembranças para que eu possa contar, um dia, que tive um grande amor. Si, meu doce e eterno amor, para nós foi impossível começar de novo. Sua eterna
Ni