A audiência realizada ontem no Ministério Público do Trabalho (MPT) entre representantes do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região e do Banco do Brasil (BB) terminou com alguns acordos. Entre eles, o de que a administração do banco não mais telefonará aos funcionários convidando-os a retornar ao trabalho. A greve da categoria entra hoje em seu 14.º dia.
Conforme matéria publicada na edição de ontem do JC, a audiência foi motivada pela denúncia formalizada pelo sindicato na última sexta-feira de que o banco estaria violando o direito de greve da categoria por meio de ligações telefônicas feitas a funcionários da instituição. Segundo o sindicato, alguns estariam sendo ameaçados de perder a comissão ou até mesmo o emprego se não retomassem as atividades.
De acordo com o procurador do Trabalho Luís Henrique Rafael, o superintendente regional em exercício do BB, Sílvio de Oliveira Gonçalves, confirmou na audiência que, no último dia 22, recebeu uma ligação do superintendente estadual da instituição, Osvaldo César Gali, pedindo que orientasse os administradores do banco a ligar para os funcionários convidando-os a retornar ao trabalho.
“Mesmo não havendo ameaças de demissão, essa postura (do banco) não está correta. Não é necessário convidar o trabalhador a voltar, porque ele tem autonomia para decidir pela greve e pela volta ao trabalho. Então, conforme está registrado na ata da audiência assinada por todos os presentes, o superintendente em exercício do banco se comprometeu a dizer, caso receba novas solicitações de superiores, que não fará mais essas ligações aos funcionários por orientação do Ministério Público”, ressalta Rafael.
Também ficou registrado na ata, segundo o procurador, que o banco não vai tirar a comissão nem demitir ninguém em função da greve. “A greve é um direito constitucional e cada trabalhador pode decidir livremente sobre os rumos da paralisação.”
Em contato com a reportagem, o superintendente em exercício do BB afirma que cumprirá as determinações do Ministério Público do Trabalho.
Rafael diz, ainda, que o procedimento investigatório aberto pelo MPT na sexta-feira continua em vigor. “O sindicato foi orientado a manter contato com os trabalhadores para verificar a eventual ocorrência de pressões ou coações. Se isso ocorrer, imediatamente eu vou ouvir essas pessoas (funcionários ameaçados) e ingressar com uma ação civil pública para assegurar o exercício do direito à greve”, afirma o procurador.
Para o diretor do sindicato Roberto Machini, a audiência foi muito importante. “O representante do banco confirmou as ligações feitas aos funcionários, apesar de negar a pressão, mas o depoimento dele mostrou ser uma atitude sistemática que começou em São Paulo. Além disso, se comprometeu a não retaliar ninguém em função da greve. Se isso ocorrer, o Ministério Público vai tomar providências.”
Em assembléia realizada ontem à tarde no sindicato com a participação de 200 pessoas, os bancários decidiram manter a greve até que a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresente uma nova proposta. A categoria reivindica 25% de reposição salarial, garantia de emprego, contratação de mais funcionários para reduzir as filas nas agências, participação no lucro bruto dos bancos, entre outros itens.
A Fenaban ofereceu reajuste de 8,5% para todos e mais R$ 30,00 para quem ganha até R$ 1,5 mil, participação nos lucros e resultados (PLR) de 80% do salário mais R$ 705,00 e uma cesta-alimentação extra de R$ 217,00.