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Briga causa 52% dos atos de vandalismo

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Dois toldos de casas comerciais queimados, janelas apedrejadas e um muro escorado para não cair. A destruição, ainda que pequena, tirou o sono de moradores do Jardim Chapadão, na madrugada de ontem. O fogo acordou as vítimas e alertou: o vandalismo que bate à porta pode ter sido uma resposta a desentendimentos pessoais.

Os números da Polícia Militar (PM) reiteram a suspeita de desavença. Dos 339 casos de vandalismo registrados neste ano em Bauru, 52% são resultados de brigas e desinteligências. A região Leste, onde o Jardim Chapadão está situado, concentra a maioria das ocorrências e é o terceiro no ranking em incidência de danos ao patrimônio por número de habitantes.

Longe dos percentuais, a situação é muito mais crítica. É difícil percorrer qualquer quadra de qualquer bairro do município, sem notar muros pichados. Além disso, nem todas as vítimas de depredações registram a ocorrência, como fez a moradora do Jardim Chapadão, Maria Leal.

“Chamei a polícia mesmo. Ouvimos jogar pedra (em direção às janelas) às 4h da manhã. Mas não é um fato isolado. Além de terem queimado o toldo (do bar), também queimaram o toldo da locadora e tentaram derrubar o muro da minha vizinha. É vandalismo mesmo. Não dá para continuar”, diz.

Ela reconhece ter enfrentado problemas com uma pessoa que mora nas proximidades do estabelecimento. O estopim do desentendimento seria um protesto organizado na semana passada, que reivindicava a instalação de obstáculos na rua Constantino Castilho, onde há três meses ocorreu um acidente com vítima fatal.

No dia seguinte à manifestação que interditou a rua graças a muita fumaça, a administração pública acatou a reivindicação dos moradores.

Mas como unanimidade é coisa rara, Marileide Elizabete dos Santos e Reginaldo Aparecida Barbosa, que aprovaram a nova sinalização, não desconsideram a possibilidade da medida (tanto a instalação das lombadas quanto o protesto) ter despertado insatisfações de outros moradores no bairro.

“Aconteceu após a manifestação. Parece retaliação. Chutaram o muro, quiseram derrubá-lo”, conta Marileide, que também teria entrado em desacordo com uma vizinha. Já Barbosa acredita que os danos podem ter partido de motoristas insatisfeitos com os obstáculos.

“Aqui tem “racha” (veículos em alta velocidade) direto, motoqueiro empinando moto. Por sorte, me avisaram e eu apaguei o fogo (do toldo). O forro é de madeira, poderia ter provocado um incêndio grande”, informa Barbosa, ao calcular o prejuízo que deve ficar em torno de R$ 300,00.

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