Bairros

DAE não consegue atender demanda

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Calor, falta de chuvas e torneiras secas formam uma combinação que vem se tornando cada vez mais comum em Bauru. Nas últimas semanas, várias regiões da cidade vêm sofrendo com a falta d’água constante em determinados períodos do dia, inclusive bairros abastecidos por poços profundos. Somente ontem à tarde, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) recebeu 206 reclamações de moradores indignados com o problema.

A assessora de imprensa do DAE, Sandra Faria, admite que a autarquia não está conseguindo repor, na mesma proporção, o consumo de água registrado durante o dia. “Mesmo com as bombas trabalhando, não estamos vencendo a demanda”, comenta.

Faria nega, no entanto, que Bauru esteja vivendo uma crise de abastecimento. Para ela, o problema é outro. “As pessoas precisam se conscientizar que o desperdício de água é um problema muito sério. Infelizmente, nem todos pensam assim”, argumenta.

O DAE conta atualmente com a ETA e outros 28 poços profundos para abastecer a cidade. Juntos, eles produzem cerca de 1,2 bilhão de litros de água por mês. Mesmo assim, a dona de casa Júlia de Oliveira, que mora no Núcleo Presidente Geisel, sabe que dificilmente encontrará o produto nas torneiras de sua casa das 7h às 14h. “Para poder lavar a roupa, tenho que acordar bem cedo”, relata.

A assessora de imprensa do DAE explica que dois poços foram construídos pela autarquia nos úlimos cinco anos e outros dois devem entrar em operação até dezembro. Segundo ela, não há nenhum estudo, porém, que indique quantos seriam necessários para suprir a cidade 24 horas por dia, mesmo nos períodos mais quentes do ano.

Enquanto isso, a aposentada Diva Simões se vê obrigada a levar galões de água de sua casa até a residência do filho, na Vila Cardia, para poder ajudá-lo a suportar o desabastecimento. “Minha nora precisava lavar um uniforme que usa para trabalhar e hoje (ontem) não tem água nem para beber”, diz.

Cansada de esperar por uma solução para o problema, Claudete Castelo, diretora de uma escola de educação infantil localizada no Higienópolis, decidiu construir uma segunda caixa d’água no estabelecimento de ensino. “Como as crianças gastam bastante água, tivemos que adotar essa medida”, declara.

Castelo explica, no entanto, que nem mesmo a prevenção foi capaz de evitar transtornos ontem. Com a falta do produto, ela teve que solicitar a presença de um caminhão-pipa do DAE.

Agravante

Com a manutenção preventiva da ETA do rio Batalha, realizada anteontem pelo DAE, a situação de desabastecimento que atinge Bauru também afetou bairros que não estavam acostumados a ficar com as torneiras secas.

O ajudante geral Cléber da Silva Amaro, morador da Vila Nipônica, passou a tarde de domingo esperando pela volta d’água. “Eu tinha de ir trabalhar e quase que não dá tempo para tomar banho”, conta.

Vizinha de Amaro, Alessandra Sousa Santos foi outra moradora a ficar sem água. “É um absurdo a gente ainda ter que conviver com esse tipo de situação”, reclama.

Ontem pela manhã, os reflexos da manutenção da ETA continuavam sendo sentidos pelos moradores do Alto Paraíso. A dona de casa Neusa Maria Fernandes precisou até dispensar a empregada. “Faço limpeza uma vez por semana, mas por causa da falta d’água tive que pedir para ela voltar amanhã (hoje)”, relata.

Se depender da previsão do tempo, o desabastecimento em Bauru não terá refresco hoje. Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a terça-feira será de nebulosidade variável com pancadas de chuva isoladas à tarde. As temperaturas continuam altas e a máxima ficará, na cidade, entre 36 e 38 graus.

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