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Falando de estações


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Logicamente, não são as pessoas assemelhadas com veículos de quaisquer tipos, especialmente os ferroviários, pois que desprovidas de rodas metálicas, fornalhas, sistemas de apitos e outros instrumentos que eles possuem de sobra e com os quais saem por aí apitando e quebrando o silêncio das estradas. De semelhantes a eles temos apenas o que seriam as estações, eis que delas nenhum vivente consegue privar-se. Mas, as que se têm são bem diferentes daquelas, chamadas que são de “estações da vida” e não de simples “paradas da vida”. Por que são assim e como são elas para não serem correlatas? É que são como etapas, aquelas que se vão vencendo com o transcorrer dos sucessivos anos com os quais presenteia o Criador as suas criaturas. Quantas são, porém, não se tem condições para definir, sabendo-se, apenas, que a infância é a estação da primavera, a juventude é a do verão, a maturidade é a do outono e, finalmente, a velhice ou a terceira idade, é a do inverno. São estações, sem dúvida, estações mesmo, representando cada qual uma das muitas vitórias da vida, que a canta romanticamente, uma vez que, seja qual for, tenha a idade que tiver, ela prepara a gente para chegar à outra estação. E até que a outra apareça o que verdadeiramente a substitui? Outra coisa não é que aquilo a que denominamos de Saudade, que surge no cenário em idades diversas e cânticos diferentes, alguns inebriantes e outros destituídos de encantos. Exemplificando, quem não tem saudades de tempos idos, principalmente da meninice? Ninguém consegue deixar de tê-las, pois, sendo a primeira estação visitada pela locomotiva da existência é ela que abre caminho para as seguintes. E vem, infalivelmente, porque nenhum de nós esquece nada do que viveu no passado, como as brincadeiras da meninice em casa e na escola, os namoros, beijos e abraços da juventude e as alegrias de adultos ao encontrar-se uns com os outros, cantando coisas esquecidas, como sons que vão e que vêm num retorno de triunfo eterno, considerando que há no mundo tempo para tudo. Tem-se de ufanar da estação de hoje, estacionando apenas por algum tempo, o suficiente para adquirirmos em seus guichês os bilhetes para o prosseguimento da jornada. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado, é o jornalista responsável do JC. “O tempo do mundo é o tempo do agora. Os outros tempos já foram e não sabemos se temos ou não direito a ele”.

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