Bairros

Clima seco provoca surto de viroses em crianças

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Clima quente e seco, somado à fragilidade da criança. O conjunto dessas circunstâncias bastou para provocar um surto de viroses, constatado nesta semana no Pronto-Atendimento Infantil (PAI). Sem dar avisos, a doença aparece de repente e pode colocar em risco especialmente a vida de recém-nascidos.

Em metade dos casos, o vômito e a diarréia são causados pelo rotavírus, responsável por 5% do total de mortes registradas entre crianças com menos de 5 anos e por 20% dos óbitos decorrentes de diarréias.

“A criança pequena desidrata muito rapidamente. Em um dia. O vírus fica latente o ano todo porque não encontra o habitat. Quando encontra o clima assim e a criança debilitada, se manifesta”, diz o pediatra do PAI, Felinto dos Santos Neto. Sem apresentar o total de registros na rede municipal, ele alerta que a incidência de casos da doença dobrou na última semana.

Anteontem, de 15 crianças que deram entrada no PAI, 14 apresentavam os sintomas da virose. “Uma infinidade de vírus podem provocar (a infecção), mas quando é rotavírus, o quadro é mais agudo. Em alguns casos, precisa de internação. A rede pública não faz pesquisa sobre o agente patológico. Na rede particular sim. Estima-se que metade dos casos seja provocada pelo rotavírus”, explica.

Foi por causa do rotavírus que Emanuela Shella Abreu, 2 anos e meio, foi internada no domingo passado. É provável que ela tenha contraído o vírus da irmã de 8 anos que, na semana passada, mal levantava da cama por causa do vômito e diarréia.

“No sábado, a Ana Carolina (de 8 anos) melhorou. Quando foi dormir, a Emanuela estava ótima. Acordou vomitando e com dor de barriga. Às 10h30 já estava internada. Ontem (anteontem) à noite, conseguimos cortar a febre. O exame de fezes e sangue confirmaram o rotavírus”, conta a mãe Mirela Alessandra de Lima Shella Abreu.

O teste também foi solicitado para outros cinco pacientes do pediatra Afrânio José Martinelli, que ontem o procuraram por causa dos sintômas.

"Durante todo o ano, temos casos esporádicos. Em alguns períodos, como aconteceu agora, surto. A evolução da doença depende. Em alguns casos, o tratamento tem de ser por via endovenosa. Mesmo com todo cuidado com as crianças, é difícil evitar a propagação da doença porque ela pode ser transmitida por secreções respiratórias. Por isso é comum em creches e hospitais", conclui o médico.

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