Regional

Menina de 10 anos é morta em Agudos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Agudos - A população da cidade de Agudos (18 quilômetros a sudeste de Bauru) está de luto. Uma menina de 10 anos foi morta em um canavial próximo do Parque Pampulha. Este é o quinto homicídio registrado em Agudos este ano. Ele chocou a população e trouxe á tona um caso ocorrido em Bauru, na década de 70, até hoje não esclarecido.

O crime aconteceu na noite de segunda-feira. A vítima, Taís Valéria de Godoy, 10 anos, a caçula de uma mãe que tem mais uma meninas e um menino, brincava na rua de sua casa com uma bicicleta. “Ela estava andando de bicicleta, e eu conversava com uma vizinha. Eu vi quando ela subiu para a rua Irma Tiburga”, recorda a mãe com lágrimas nos olhos.

Depois disso, a menina não foi mais vista. A mãe recebeu uma informação de sua enteada, outra menor de 13 anos, de que um tal de “Tiquinho” queria falar com a menina. “A minha enteada avisou que o Tiquinho queria falar com ela. Eu não sei quem é essa pessoa.”

A noite começou a chegar e como a menina não retornava, a mãe ficou preocupada e passou a procurá-la. “Eu, minha família e meus vizinhos passamos a procurá-la. Por volta das 20 horas avisamos a polícia.”

Transtornada, a mãe conta que não dormiu a noite toda. “Nós passamos a noite procurando a menina. Até os meus irmãos vieram para procurá-la. Ela não costumava ficar fora de casa.”

Ontem, funcionários da prefeitura, família e policiais civis e militares passaram a procurar a menina, nas proximidades de sua casa. Seu padrasto a encontrou num canavial, quase na Zona Rural, cerca de 2 quilômetros de sua casa.

Os moradores do Parque Pampulha se chocaram com a cena. O corpo estava bastante marcado pela violência e estendido no meio do canavial. “No bairro há muitos regressos das cadeias. Eles saíram da prisão e retornaram para a casa de seus pais. Há muitos desconhecidos. A chegada deles foi a largada para o aumento da violência.

Policiais da cidade confirmam que no bairro moram pessoas da classe social mais baixa. Há muitos desempregados e é o foco de desentendimentos e crimes de menor potencial.

Caminho do canavial

Da casa da vítima até o canavial onde o corpo foi encontrado tem uma distância aproximada de dois quilômetros, caminho feito a pé. Porém se o caminho for feito de veículo, a distância dobra, porque não há passagem para carros. A estrada que leva ao canavial é conhecida como a antiga estrada da Brahma.

Ao que tudo indica, pelas características do local, a menina foi morta no canavial, mas antes de morrer, teve suas vestes arrancada.

Sua calcinha foi encontrada antes do corpo. Sua bicicleta, estava a pouca distância das vestes. Pelo raciocínio lógico, ela abandonou a bicicleta e depois teve suas vestes arrancadas, uma vez que foi abandonada nua.

O mais estranho é que o canavial era fechado e o corpo ainda não exalava mal cheiro, mas mesmo assim foi localizado. O padrasto da menina, Milton Antônio Peregine e um policial militar encontraram o corpo.

A menina, que não aparentava o corpo de mulher, foi abandonada debruço com hematomas no rosto e costas provocados, provavelmente por mãos masculinas fortes que a deixaram deformada.

A região púbica do corpo estava ensangüentada o que levou a polícia a suspeitar do estupro, por isso foi requisitado o exame de comprovação. Até o fechamento desta edição o resultado dos exames ainda não haviam sido concluídos. Sabe-se extra-oficialmente que a causa da morte foi asfixia (o criminoso tampou a boca e o nariz da vítima).

Choque

O autor do crime ainda não é conhecido, mas com certeza ele conquistou o mais ruim dos sentimentos por parte da população de Agudos, que se revoltou e ficou tão transtornada a ponto de não querer se manifestar. A revolta era nítida no rosto dos moradores do bairro e até mesmo da polícia.

O delegado Eron Veríssimo Gimenez confessou que o crime o abalou emocionalmente. “Era apenas uma criança e o crime foi praticado com requintes de crueldade.”

A diretora da escola Luiz Odassi Neto, onde Tais estudava disse que ela e todo o corpo docente estavam consternados com a notícia. “Ela era uma aluna exemplar, amiga de todos. Nunca teve problema de comportamento, não faltava as aulas e tinha uma mãe que participava de sua vida escolar.”

A delegacia de polícia de Agudos e a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru trabalham na investigação do caso. O titular de Agudos, Eron Veríssimo Gimenez, promete rapidez no trabalho. “Estamos investigando e pretendemos elucidar o crime o mais rápido possível.”

De acordo com ele, o autor do ato vai responder por crime de homicídio qualificado e pode ficar mais de 30 anos na cadeia. Os crimes de abuso sexual e estupro dependem de comprovação do laudo necroscópico.

Quem tiver informações, ainda que anonimamente, poderá passar para a polícia através do número 197 e 3261-1101(ambos de Agudos) ou 147 (Polícia Civil).

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Mara Lúcia

Na década de 70, uma menina de 7 anos foi estuprada e morta em Bauru, mais precisamente em uma residência de rua Maria José, Altos da Cidade. O crime da Mara Lúcia Vieira abalou a cidade e até hoje não se conhece o autor do crime. Passados mais de 30 anos, a falta do esclarecimento desse crime ainda está atravessada na garganta dos bauruenses.

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