Tribuna do Leitor

Confissão


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Na verdade, esta confissão não é para o padre pois não é nenhum pecado capital. Ela é destinada à sociedade que como eu acredita num país melhor, num mundo melhor, numa vida melhor. Tenho 30 anos, paulistana nascida e criada, casada, dois lindos e amados filhos. Quando casei mudei para Bauru, esta “cidade maravilhosa” (desculpem o plágio). Tive alguns problemas de adaptação, financeiros etc, e por isso, e tão somente por isso, não transferi meu título de eleitor.

Agora vem a confissão.

Hoje eu descobri que na verdade eu não transferi o título por pura covardia, omissão ou sei lá como posso chamar isso.

Você pode me criticar o quanto quiser, eu não vou me preocupar. Que atire a primeira pedra quem nunca levantou de manhã em dia de eleição, blasfemou tudo que podia e desejou simplesmente não votar. Uns por pura preguiça de enfrentar fila, outros por indignação e revolta pelo voto obrigatório, mas a maioria (e isso eu tenho certeza) é por não saber em quem votar. Coitados deles. Provavelmente decidirão lá na porta do colégio quando encontrarem aquela vizinha que sabe de tudo (acha que sabe!!!), e num papo de dois minutos este problema estará resolvido. Não estou criticando, é apenas uma observação para que isso não aconteça. Eu sim é que deveria ser criticada pela minha falta de cidadania. Pelo sim, pelo não, agora é tarde demais pra mudar de idéia.

Que pena que não dá tempo de transferir meu título. Mas também eu não saberia em que candidato votar, e provavelmente decidiria na porta do colégio quando encontrasse a minha vizinha (que é muito bem informada) e num papo de dois minutos tudo estaria resolvido.

Moral da história.

Se você é candidato e ama essa cidade assim como eu aprendi amar, faça tudo que puder pra mudar essa situação e nas próximas eleições, quem sabe, todos nós contarmos os dias, as horas, pra chegada do grande dia: o dia da eleição.

Daniela Serpa

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