Bairros

Rodízio impõe suspensão de água 12h ou 24h por setor

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Os bairros atendidos pela Estação de Tratamento de Água (ETA) do rio Batalha passarão a ser abastecidos, a partir das 6h de hoje, em esquema de rodízio. O sistema imposto pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) prevê intervalos de 12 ou 24 horas sem o produto, dependendo do setor onde o imóvel estiver localizado.

A decisão de implantar o rodízio foi tomada pela diretoria do DAE ontem pela manhã. A autarquia se baseou na queda de 21% na vazão do rio Batalha, responsável pelo abastecimento de 42% da cidade, e na ausência de chuvas. Há pelo menos duas semanas, as regiões da Vila Cardia, Vila Nipônica, Higienópolis e Vila Souto vêm sofrendo diariamente com a falta d’água.

Para que esses e outros bairros afetados possam receber o produto pelo menos durante parte do dia, o DAE optou pelo rodízio. “Estamos adotando essa medida para acabar com o desespero das pessoas que ficam nos ligando perguntando se terão água ou não. Dessa forma, a população poderá se programar melhor”, argumenta a presidente da autarquia, engenheira Nilcéia de Paes Lourenço.

Segundo ela, o sistema funcionará por tempo indeterminado, mas poderá ser suspenso a qualquer momento, desde que chova o suficiente para regularizar a vazão do rio Batalha ou o consumo diminua consideravelmente. “Estamos conversando diretamente com os diretores dos setores de produção e distribuição e isso continuará sendo feito diariamente”, anuncia.

Revezamento

O cronograma estabelecido pelo DAE determina que os bairros do Setor 1, que engloba as regiões do Centro, Higienópolis, Altos da Cidade e Jardim Cruzeiro do Sul, entre outros, serão os menos atingidos. Nesses locais, os imóveis ficarão 12 horas sem água para cada período de 24 horas de abastecimento.

Já no Setor 2, que inclui as regiões da Vila Falcão, Vila Ipiranga, Vila Souto e Vila Pacífico, entre outros, as torneiras ficarão 24 horas vazias para cada 12 horas com fornecimento.

A presidente do DAE explica o motivo do abastecimento de água ser diferente em cada região. “O Setor 1 tem um número maior de casas, enquanto o Setor 2 tem mais lotes vagos”, justifica.

Nilcéia afirma que a autarquia não programou a realização de campanhas contra o desperdício, mas acredita que o próprio rodízio terá esse papel. “As pessoas vão perceber que não dará para lavar a calçada todos os dias”, declara.

Ela também defende a rediscussão do projeto de lei que determina uma multa para quem for pego em flagrante desperdiçando água, rejeitado no ano passado pela Câmara Municipal. “Os nossos funcionários sempre conversam com as pessoas que estão gastando água sem necessidade no sentido de informá-las sobre o desabastecimento, mas muitas vezes eles são ignorados e nós não podemos fazer nada”, diz.

Em outubro de 2002, a falta de chuvas também obrigou o DAE a impor o equema de rodízio. Naquela oportunidade, a medida teve a duração de cerca de um mês.

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