Bairros

HE fará captação múltipla de órgãos

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo está ampliando a sua capacidade de captação de órgãos, antes restrita às córneas. Uma equipe de profissionais da unidade passou por treinamento e, a partir de agora, está apta a acompanhar o processo de retirada de rins, fígados e corações, entre outros.

A médica Amélia Trindade, coordenadora regional da Organização de Procura de Órgãos (OPO), ligada à Secretaria de Estado da Saúde, acredita que a equipe do HE será um importante reforço na busca por doadores. “Temos pacientes que estão nesta situação, mas não tínhamos pessoal pronto para atuar na múltipla captação”, comenta.

Além disso, a equipe que atua no Hospital de Base (HB) realizou um curso de reciclagem e também está atuando no processo de múltipla captação. No final de agosto, um paciente de 44 anos, vítima de derrame, teve suas córneas, rins e fígado retirados para transplante.

A região de Bauru, que inclui Botucatu, foi a que menos apresentou doações de órgãos no Estado de São Paulo em 2003, com apenas três procedimentos realizados. Trindade afirma que esse quadro tende a se alterar. “Neste ano, já registramos sete casos, mais do que o dobro”, argumenta.

A equipe de captação do HE é formada por enferemeiros, médicos, assistentes sociais e psicólogos. “Eles fazem a localização do potencial doador, abordam a família, estruturam o procedimento e podem retirar rins e córneas. No caso dos outros órgãos, uma equipe de fora realiza o trabalho, norma padrão que é adotada em todo o País”, relata a coordenadora regional da OPO.

Segundo ela, a Base de Radiopatrulhamento Aéreo que está sendo implantada pela Polícia Militar (PM) em Bauru terá uma função fundamental no processo, auxiliando no transporte de órgãos que precisam ser transplantados de forma mais rápida, caso do coração.

Conscientização

Trindade lembra, porém, que não basta apenas ter equipes capazes de realizar a captação múltipla de órgãos para que o número de pacientes aguardando por um transplante, cerca de 60 mil em todo o País, diminua. “Precisamos combater a falta de informação. O momento da morte é de muita dor para a família e se ela não souber previamente os motivos que nos levam a pedir a doação, fica complicado”, analisa.

Ela cita um exemplo que vivenciou anteontem. “Uma criança faleceu e os pais não quiseram fazer a doação, porque disseram que o filho seria enterrado com todos os órgãos”, relata.

Já a família do paciente que teve vários órgãos captados pelo HB no final de agosto comentou que aceitou a realização do procedimento com o intuito de ajudar outras pessoas. “O que nos levou a adotar essa postura foi a oportunidade de salvar vidas”, afirmou na época Ana Cristina Macedo de Brito, cunhada do doador.

Apesar do número de doações ainda ser pequeno, o Brasil registrou um aumento de 3.983 doadores de janeiro a maio deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

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Campanha

Para auxiliar no trabalho de conscientização sobre a importância da doação de órgãos, a organização Jovens por um Mundo Unido irá promover, neste mês, dois eventos relacionados ao tema. “Integramos um movimento internacional que, desde 1996, realiza uma semana repleta de atividades que visam promover a fraternidade universal. Dessa vez, optamos pela questão dos transplantes”, diz um dos coordenadores do grupo, Lucas Villaça Zogheib.

No dia 14, a organização estará organizando um show com corais e bandas na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB). “Eles estarão cantando com o intuito de promover a doação de órgãos”, destaca Zogheib. Além dele, Rino Gatti e Célia Covolan também integram a coordenação do evento.

Já no dia 19, será realizada uma caminhada com saída e chegada previstas para o estacionamento do supermercado Confiança Max. O passeio irá contar com a participação de alunos de escolas públicas e privadas.

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