Economia & Negócios

Celulares usados estão dando lugar aos modelos 'populares'

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

A maior oferta de telefones celulares aliando qualidade e preço baixo está diminuindo a comercialização de aparelhos móveis usados, que em 2003 tiveram um ‘boom’ de vendas. Desde o início deste ano, com a entrada efetiva de duas operadoras de telefonia celular no setor, a Claro e a TIM, o mercado que antes era exclusivamente dominado pela marca Vivo passou a atrair público por meio de bons produtos a preços baixos, estratégia que desvalorizou o mercado de compra e venda dos usados.

A comercialização dos aparelhos seminovos caiu 50% desde março na comparação com o ano passado, segundo Andréia Medeiros de Oliveira, gerente de uma loja de troca e venda de celulares das três marcas citadas. “Com a facilidade em comprar (aparelhos) novos, a venda dos usados caiu muito este ano”, confirma.

De cada dez celulares vendidos, dois são usados. No ano passado, para cada dez aparelhos comercializados, metade deles eram seminovos, aponta o gerente de uma loja de telefonia móvel Marcos Vinícius Portoni Souza. “A Claro e a TIM estão atingindo os clientes populares e isso está afetando a venda de usados”, destaca.

O índice também é o mesmo em outro estabelecimento do ramo. Nele, o comércio de usados representa apenas 5% das vendas, de acordo com o proprietário Carlos Eduardo Fernandes. “Não vale a pena comprar um usado porque a diferença de preço para um novo é muito pequena”, opina.

O baixo custo do aparelho foi fator decisivo para que o vendedor Fabiano Lima de Souza comprasse seu celular da marca Claro. “Há cinco meses, troquei o meu antigo, que era da Vivo, por um modelo novo, que é mais popular e tem um preço mais baixo”, diz. A operadora de telemarketing Marina Padilha Lazzarini também trocou recentemente seu modelo da marca Vivo por um celular da TIM. “Estava insatisfeita com o serviço”, comenta.

Marketing

Devido à maior concorrência, as operadoras de telefonia celular estão investindo cada vez mais em novas tecnologias e em campanhas publicitárias. O resultado, de acordo com as assessorias de imprensa das três empresas, é o aumento do número de clientes. A TIM, que está há mais de um ano no mercado, possui 10,8 milhões de usuários em mais de 1.700 cidades do Brasil.

A Claro, antiga Tess, comemora um ano de existência e conta com 11,1 milhões de clientes no País. Já a Vivo, que é considerada líder de vendas no Estado de São Paulo, possui 23,5 milhões de usuários. Segundo a assessoria da Vivo, com a entrada de mais duas operadoras no mercado, a principal estratégia da empresa será o investimento pesado em campanhas de marketing.

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Lançamentos

Apesar da diminuição da venda de celulares usados, sua comercialização ainda atrai muitos consumidores, em especial as pessoas com maior poder de compra e que buscam novidades tecnológicas. “Existe um pessoal, geralmente de classe alta, que sempre está trocando seus aparelhos por causa da estética”, diz Glauber Moreira, funcionário de uma loja de celulares da cidade.

“Isso, de certa forma, é uma vantagem porque a pessoa acaba comprando um aparelho mais moderno com descontos de até R$ 200,00”, explica Moreira. De acordo com ele, um dos modelos mais caros do mercado, o Twister Motorola, da Vivo, custa aproximadamente R$ 1.900,00. “Se o proprietário quiser, poderá vendê-lo por até R$ 1.600,00”, diz.

O empresário Denis Lofrano Teixeira da Silva possui três celulares e conta que adora novidades. “Um aparelho fica no posto e, como eu viajo muito, tem lugares em que o modelo da TIM não funciona. Porém, quando vou para São Paulo ou Minas Gerais, eu não preciso pagar a taxa de deslocamento, como acontece no celular da Vivo”, aponta.

Dono de um dos mais recentes lançamentos da Motorola, o V810 (que custa cerca de R$ 1.800,00), Silva pode ser considerado um fã de celulares. “Compro sempre que sai um modelo novo. Além do V810, tenho um Sansug com foto e um Panasonic”, diz.

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