Economia & Negócios

Sem nova proposta, greve dos bancários continua na 2ª feira

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Após a fracassada tentativa feita ontem pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) de reabrir as negociações entre banqueiros e bancários, a categoria decidiu, em assembléia, manter a greve na próxima segunda-feira. Em Bauru, todos os bancos privados abriram ontem e somente as agências do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (CEF) continuam sem atendimento ao público.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região Marcos Lenharo, do total de 42 agências bancárias existentes na cidade, somente 11 estão paralisadas. Desde anteontem, a adesão de trabalhadores ao movimento grevista está em torno de 50% (no início o percentual era de 85%). A greve entra hoje no 18.º dia - sendo 13 úteis.

“Na audiência realizada ontem no TST, os representantes dos banqueiros disseram que não têm condições de avançar na última proposta feita, de 8,5% de reposição salarial. Por isso, decidimos manter a greve para segunda-feira. Além dos bancos públicos, que continuam fechados, vamos intensificar a movimentação em frente às agências das instituições privadas para chamar os funcionários de volta à greve”, diz Lenharo.

A categoria reivindica 25% de reposição salarial, garantia de emprego, contratação de mais funcionários para reduzir as filas nas agências, participação no lucro bruto dos bancos, entre outros itens.

A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ofereceu reajuste de 8,5% (a primeira proposta era de 6%) para todos e mais R$ 30,00 para quem ganha até R$ 1,5 mil, participação nos lucros e resultados (PLR) de 80% do salário mais R$ 705,00 e uma cesta-alimentação extra de R$ 217,00.

Estava marcada para segunda-feira uma nova audiência no TST, desta vez entre representantes dos banqueiros e bancários.

“Diante do que os banqueiros disseram hoje (ontem), que não têm mais nada para propor, o presidente do TST decidiu cancelar a audiência (de segunda-feira). Então, por ora não existe nenhuma negociação, a não ser que na segunda-feira surja uma preocupação por parte da Fenaban de que o tribunal instaure dissídio e eles (banqueiros) aceitem reabrir as negociações”, observa o sindicalista.

Com exceção da Nossa Caixa, que voltou a funcionar anteontem por decisão dos próprios funcionários, os demais bancos privados de Bauru estão funcionando com liminar judicial de interdito proibitório. Os bancários e o Ministério Público do Trabalho (MPT) contestam a utilização deste instrumento, já que trata-se de uma ação para garantir a manutenção da posse das agências.

“Nós estamos reivindicando reajuste salarial, não queremos tomar posse dos prédios dos bancos. Por isso, essas liminares não poderiam interferir no nosso direito ao exercício da greve. No Rio de Janeiro, todas as liminares de interdito proibitório foram cassadas pela Justiça do Trabalho”, protesta Lenharo.

Aposentados

Não foram registrados, ontem, problemas no primeiro dia de pagamento dos benefícios dos aposentados. Conforme definido em assembléia, os grevistas se deslocaram às agências do BB e da CEF para auxiliar na retirada do pagamento nos caixas eletrônicos.

Ontem foram liberados os pagamentos para os aposentados cujo número final do benefício é 1 e 6. De 4 a 7 de outubro serão pagos, respectivamente, os benefícios com finais 2 e 7, 3 e 8, 4 e 9 e, por último, 5 e 0.

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