Bairros

Pais enfrentam dilema ao deixar filho pequeno sozinho em casa

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Isabella de Tília Comin, 10 anos, e Isabella Tripodi Xavier, 13 anos, não são apenas xarás. As duas também ficam sozinhas em casa quando as mães delas saem para trabalhar. Entre a dupla existem outras coincidências: ora elas comemoram a ausência materna ora sentem falta das mães. As semelhanças vão além e esbarram na conduta dos pais. Nem sempre eles ficam tranqüilos ao deixá-las em casa sem a companhia de um adulto.

No entanto, tomaram a iniciativa também motivados por dificuldades econômicas. “Fiquei muito tempo desempregada. Quando consegui serviço, fui obrigada a deixá-la sozinha. Além da falta de dinheiro, já tive uma experiência de deixá-la com uma outra pessoa, mas não deu certo. Elas discutiam. Fico mais preocupada se tiver de deixar a Isabella com alguém que pouco conheço”, diz a mãe Isabel de Tília.

Viviane Tripodi Xavier, mãe da outra Isabella, também enfrentou dificuldade para encontrar uma pessoa de confiança que ficasse com a filha de 13 anos e com a outra de 9 anos, chamada Gabriela. “Além disso, tem também a parte financeira. Mas a casa é segura como um apartamento”, acrescenta.

A comparação nem sempre é sinônimo de segurança. Quem garante é Sílvia Cássia Siqueira Batista, que mora em prédio e também deixa a filha Viviane, 12 anos, sozinha. “Aqui não é nada seguro, mora gente de todo tipo. Só a deixo por uma questão de extrema necessidade. Preciso trabalhar e não tenho como levá-la”, garante.

As histórias de Sílvia, Isabel e Viviane ainda dispõem de outras semelhanças. As três poderiam assinar uma mesma cartilha com métodos de segurança para as filhas. As dicas incluem recomendações sobre como atender a porta, quem procurar numa situação de emergência, quais telefones acionar quando for necessário. Alerta com fogo e fogão é outro ponto em comuns, assim como a exigência no cumprimento de tarefas escolares e pequenos trabalhos domésticos.

As semelhanças terminam quando o temperamento da três meninas é avaliado. “A Isabella é calma, responsável, obediente e boa aluna. A personalidade dela me ajudou a deixá-la sozinha”, comenta Isabel. Já a outra Isabella não desperdiça uma briga com a irmã mais nova. No entanto, para mãe delas, a iniciativa de deixá-las a sós também foi um meio encontrado para torná-las mais independentes e seguras.

Independentemente dos aspectos positivos e negativos, Sílvia sabe que não pode dar trégua a Viviane. Caso contrário, o boletim escolar da filha vem pintado de vermelho e pode ser sorrateiramente escondido.

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Medo

O medo é mais um ponto em comum na vida das duas Isabellas e também da Viviane. Sozinhas em casa, cada uma delas tenta se livrar dele da maneira que pode. “Quando eu sinto medo, ligo para a minha amiga Renata. Aí, a gente fica conversando e eu esqueço”, conta Isabella Tripodi Xavier.

Já o recurso da outra Isabella é ligar para a mãe ou para a prima. Num período, as ligações eram tantas que Isabel precisou controlá-las. “Quando eu fico com medo, fico na janela esperando minha mãe chegar. Tenho muito medo de ladrão”, confessa Isabella Tília Comin.

Assalto também assusta Viviane Siqueira, principalmente quando o vento bate na porta e ela acha que tem alguém entrando no apartamento em que mora, adverte.

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