Muito já se escreveu sobre os prós e contras das películas automotivas referente às questões de design, conforto, legislação e segurança nos veículos. Entretanto, quando o assunto é a saúde dos usuários destes acessórios que têm por objetivo, teoricamente, filtrar os raios solares, pouco, ou quase nada, é abordado. Assim, surge a pergunta: os insulfilmes realmente cumprem o que seus fabricantes prometem e apregoam em relação ao bloqueio da ação nociva das radiações UV-A e UV-B, responsáveis por queimaduras, problemas oculares, câncer de pele e outras doenças?
Segundo a Associação Brasileira dos Representantes e Aplicadores de Window Film (Abrawf), única do País que representa o setor, a resposta é positiva. A Abrawf ressalta que, em junho deste ano, encomendou junto ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo uma série de testes com um instrumento importado dos Estados Unidos e certificado pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), o medidor de transmitância de raios ultravioleta em vidros, películas, plásticos e outros materiais, a fim de comprovar cientificamente a proteção oferecida pelos insulfilmes.
A Abrawf informou que os testes foram feitos com as películas Clear - sem grau de transmitância luminosa -, PAR 35 CR e PAR 50 CR - com 35% e 50% de transmitância luminosa, respectivamente, e em um vidro sem película. A partir do laudo divulgado, acrescenta a associação, a dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Annia Cordeiro Lourenço, ressaltou que as películas testadas filtram, em média, 70% dos raios ultravioleta, enquanto o vidro sem proteção retém menos de 20%, e podem ajudar na prevenção de doenças provocadas ou agravadas pela luz solar, como as fotoalergias e o fotoenvelhecimento.
Mas, mesmo defendendo o produto, a Abrawf faz um alerta. Para que o consumidor tenha garantia de qualidade na hora da aquisição da película, é preciso procurar profissionais e estabelecimentos especializados que forneçam um certificado de garantia atestando sua eficiência. “Caso o consumidor seja lesado de alguma forma, deve entrar em contato com a associação”, enfatiza Carla Pedroza, assessora jurídica da associação.
O AutoMercado & Cia entrou em contato telefônico e e-mail, por diversas vezes nos últimos dias, com o IPT para confirmar a emissão do laudo conclusivo favorável às películas automotivas. Entretanto, até o fechamento desta edição, a assessoria de imprensa do instituto não respondeu às solicitações da reportagem sobre a execução dos testes nos insulfilmes e seus resultados.
Teste oftalmológico
Para analisar a eficiência dos insulfilmes na proteção contra a luz solar, a reportagem do AutoMercado & Cia executou um teste, sem caráter científico, com produtos de diferentes níveis de visibilidade - 5%, 20%, 35% e 50% - fornecidos por um estabelecimento bauruense especializado na instalação de insulfilmes e escolhido aleatoriamente, em um aparelho chamado espectrofotômetro, capaz de medir a quantidade de luz e de radiação ultravioleta A e B que atravessam as lentes de óculos.
Os resultados dos exames, comandados pelo oftalmologista bauruense Marcelo Crivellari Creppe, foram favoráveis às películas. Todos filtraram 100% da radiação UV-B e, no mínimo, 90% da UV-A. “São índices excelentes, que comprovam a qualidade deste material específico utilizado pela empresa local”, enfatiza o médico, que colocou insulfilme em seu veículo há cerca de três semanas por motivos estéticos e de segurança.
Apesar disso e de salientar que os vidros automotivos já atuam como barreiras à luz solar, Creppe recomenda a adoção de óculos escuros mesmo para os proprietários de automóveis equipados com as películas. “Como a legislação não permite o uso do insulfilme nos pára-brisas, é necessário proteger os olhos do sol à frente”, esclarece.
Segundo o especialista, apesar da exposição solar afetar as pessoas de maneira diferente, a radiação, cada vez maior devido ao aumento do buraco na camada de ozônio, que tem por objetivo filtrar os raios solares, pode causar diversos danos oculares. “A sensibilidade ao sol varia entre os indivíduos, o que pode causar problemas distintos. Entretanto, de forma geral, a superexposição dos olhos à radiação ultravioleta é capaz de gerar lesões e até cegueira”, alerta Creppe.
O oftalmologista também exige atenção para a qualidade dos óculos escuros, que devem oferecer segurança contra as radiações ultravioletas. Para isso, conforme o especialista, o Hospital de Olhos da Beneficência Portuguesa disponibiliza um serviço gratuito de avaliação das lentes, que pode ser feito de segunda-feira à sexta-feira, no período das 7h às 19h.
• Serviço
O Hospital de Olhos localiza-se na rua Rio Branco, 13-83, no Centro de Bauru.