Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do último dia 19 de setembro criou uma oportunidade para que as pessoas portadoras de necessidades especiais consigam uma certidão de quitação eleitoral caso comprovem junto à Justiça Eleitoral a sua real dificuldade em votar.
Se depender do advogado Eduardo Jannone da Silva, a medida do TSE não servirá para nada. Lesionado após um acidente há um ano e meio, ele utiliza uma cadeira de rodas, mas não abre mão de ir às urnas. “O deficiente físico não pode deixar de lado a vida em sociedade e, sobretudo, deve exercer sua cidadania”, diz.
Para continuar votando com tranqüilidade, ele conta que transferiu sua seção, na escola “Ernesto Monte”, onde teria que transpor escadarias, para o Preve, a única seção adaptada de Bauru. “Minha intenção sempre foi e sempre será votar”, afirma o advogado que nunca deixou de participar do processo eleitoral.
Para Eduardo, o Justiça Eleitoral deveria criar mais seções especiais para facilitar o acesso de pessoas deficientes. “Bauru é uma cidade grande e tem apenas uma, imagino que lugares com menos habitantes talvez nem tenham uma seção especial”, explica. “Nenhuma pessoa gostaria de ter que ser carregada no colo para votar”, completa.
Portadora de síndrome de down, Renata Leonel Carvalho não vê a hora de, através do seu voto, poder colaborar para os destinos da cidade onde mora. Ela vai votar pela segunda vez e está confiante na vitória dos candidatos que escolheu sozinha. Segundo sua mãe, a comerciária Vilma Leonel Carvalho, o voto de Renata não sofreu interferências familiares. “Ela escolheu os candidatos e não muda de jeito nenhum”, afirma Vilma, que vai optar por um candidato diferente da filha nas urnas.
Desde a última eleição, quando votou pela primeira vez, Renata gosta de acompanhar o processo eleitoral e a campanha dos candidatos, principalmente pela televisão. “Assisti todos os dias. Meus candidatos são os melhores”, garante. Para sua mãe, o envolvimento de Renata é muito saudável. “Ela vive como uma cidadã comum, tem RG, CIC, título de eleitor e vota”, comemora.
Consciência
No caso de Alberto Lauro Simões, também portador de síndrome de down, sua opção acabou influenciando o voto da avó, Luzia Dias de Oliveira Simões, com que ele mora. “Eu ia votar em outro candidato, aí ele veio me dizendo que o outro era melhor, que a gente tinha que pensar nos problemas da cidade, dos jovens. Me convenceu e vou votar junto com ele”, conta.
Alberto trabalha numa rede de supermercados e já votou uma vez. “Com certeza é importante votar para escolher direito quem vai melhorar a vida das pessoas”, declara. Ele diz que acompanhou o processo eleitoral pela televisão, que não abriria mão do voto por nada e aproveita para dar uma aula de consciência e cidadania: “Na Bíblia está escrito que a gente tem que pensar no bem das pessoas. Para isso, o voto é o principal”.