Todos sabem: Bauru terá (se necessário) o segundo turno das eleições. A cidade atingiu o número de 200 mil eleitores. E só conseguiu esse número porque houve aumento populacional. Fácil de entender? Nem tanto! Não pensam assim nossos homens públicos. O aumento da densidade populacional acarreta uma série de múltiplos problemas. Os novos bauruenses beberão água, tomarão banho, lavarão roupas, limparão suas casas, enfim, usarão água. Há onze anos em Bauru, ouço e leio, a partir de agosto, as informações do DAE (seria deficiência de água e esgoto?). Ouvi, atentamente, o pronunciamento dos candidatos a prefeito. Priorizaram a construção de novos núcleos habitacionais e tratamento do esgoto, além do asfalto. E o problema do abastecimento de água?! Notícia inserta na página 10 do JC do dia 30 afirma que a autarquia tem a intenção de iniciar o processo para captação de água no córrego da Água Parada, “que vem sendo analisada há cerca de seis anos”. Seis anos! Tempo suficiente para concluir o Curso de Medicina... Mas, o “estudo” continua. Noticiário de televisão mostra-nos dois agricultores de Marília. Plantam melancia. O primeiro mostra a exuberância da colheita: melancias enormes, suculentas, produtos da plantação irrigada. O outro, parte ao meio uma fruta completamente seca, por falta de água! Fato notório o assoreamento de nossos rios graças à irresponsabilidade dos que não os preservam. Tão grave quanto o assoreamento: a evaporação que é a passagem de um líquido exposto ao ar e calor ao estado de vapor. E o Rio Batalha não está infenso a esse fenômeno. Os caboclos (sou bisneto, neto e filho de caboclos), cheios de fé, fazem promessas. Irritam-se, às vezes. Uns, mais exaltados, colocam a imagem do Santo (geralmente Santo Antônio) dentro de um copo d’água de cabeça para baixo, tirando-o do “castigo” após as primeiras chuvas... Para Santo Onofre, pinga. No domingo, escolha do prefeito e dos vereadores. Mais uma vez, estarei diante das urnas. Sendo dispensado por lei do ato de votar, lá estarei, não para cumprir um dever, mas para exercer meu direito de cidadania. Angustiado, como, com a falta de água da cidade. Que essa preocupação aflua à cabeça dos futuros componentes de nossa Câmara Municipal. Que se preocupem com a vazão cada vez menor do Rio Batalha, contrastando com o caudaloso Paraná que banha a cidade de Panorama, por alguns visitada em final de semana, cidade que se orgulha do mais belo “pôr-do-sol”, mas que não oferece congressos que interessem a legisladores. Que pensem nisso. E que a “Água Parada” não fique assim tão parada.
Álvaro Baptista Pontes - RG. 2.477.567