Saúde

Abran contesta cesta básica

Sabrina Magalhães
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O presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Durval Ribas Filho, observa que a cesta básica brasileira é um dos fatores que contribuem para a instalação da fome oculta entre a população de baixa renda.

“Sobram carboidratos refinados - arroz, açúcar, farinha, macarrão - e gorduras. Proteínas só no feijão e em uma única lata de sardinha. Praticamente não há nenhuma fonte de vitaminas e minerais”, salienta.

Ele aponta que o índice de obesidade nas classes sociais menos favorecidas é cada vez maior e explica. “Gorduras e carboidratos são bem mais baratos que proteínas, por exemplo. Se bem que o Brasil é um dos países com maior oferta de vegetais a baixo custo. Uma única maçã na Espanha custa entre R$ 1,50 e R$ 2,00. No Brasil, você paga isso em um quilo”, compara.

“Um dia desses, eu vi duas crianças, logo pela manhã, sentadas à soleira de uma porta, cada uma com uma garrafa de dois litros de refrigerante na mão. Refrigerantes são calorias vazias, não têm nutrientes. Elas deveriam estar tomando leite. Mais uma vez, é questão de saber escolher o que comprar”, lamenta.

Ribas Filho destaca que o Brasil apresenta uma coisa chamada transição nutricional, ou seja, a desnutrição (que deveria estar ligada à falta de alimentos) está associada à obesidade (relacionada ao excesso de alimentos).

“Fazer políticas públicas diante desse cenário é algo muito difícil. Veja as escolas. Para algumas crianças, a merenda escolar é a única grande refeição do dia. Sabemos que muitos estudantes freqüentam a escola mais para comer que para aprender. No entanto, para aqueles que têm almoço e jantar em casa, a merenda será a terceira grande refeição do dia, o que vai favorecer o sobrepeso. Trabalhar educação alimentar é essencial”, encerra.

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