Parece uma situação improvável. Mas pense em você obtendo da empresa em que trabalha um abono de 3,6 vezes o valor de seu salário. Pois é exatamente isso que todos os funcionários de uma empresa do mercado editorial de Bauru receberam no início deste ano pela Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
É por essas e outras que a equipe anda rindo à toa. Além dos ganhos salariais, a empresa é reconhecida pelos funcionários por oferecer uma vigorosa rede de benefícios (que inclui vale-refeição, seguro de vida, apoio creche; plano de saúde e odontológico, entre outros) e promover um clima integrado e amistoso nas relações de trabalho.
“A gente trabalha em uma área que exige criatividade. E para ter criatividade, o funcionário tem que ter a cabeça fresca”, resume o encarregado pelo departamento pessoal, Wilson José Castilho, destacando que a motivação da equipe tem sido responsável pelo crescimento dos negócios.
Em algumas datas, a situação é de pura paparicagem. No dia das mulheres, por exemplo, cada funcionária recebe uma rosa das mãos do próprio dono da empresa. Também na Páscoa ou aniversário, a situação se repete com a entrega de ovos e presentes para os funcionários. E tudo é motivo de festa. No mínimo, uma confraternização por mês é realizada no grêmio recreativo do grupo. Quem ‘banca’ a maior parte das despesas? A empresa, é claro.
”Nós aqui temos um reconhecimento como ser humano e um reconhecimento como profissional. E é esse conjunto de coisas que está mantendo um equilíbrio legal”, descreve a assistente de operações Miriam Isabel Sasaki, 32 anos.
Além do bom astral no ambiente de produção, Miriam, que já trabalhou em outras quatro empresas, inclusive no exterior, também destaca como qualidade do emprego atual os benefícios oferecidos aos funcionários. Entre eles, está o generoso e diferenciado modelo de PLR da firma. “(Neste ano) nós tivemos três salários a mais. Nós tivemos o 14.º, 15º e 16.º salários”, conta a assistente de operação, para inveja de muitos profissionais.
Quando o assunto é benefício, alguns empresários adotam situações originais para estimular a produtividade dos funcionários. Esse é o caso de uma fábrica de máquinas e equipamentos de Bauru, onde os empregados recebem mensalmente um prêmio de R$ 100,00 por cumprir a jornada de trabalho. Ou seja, o abono é praticamente sagrado para a maior parte da equipe, que não ousa chegar atrasada no expediente.
“Nós sabemos que um tempo de hora parado de uma máquina é mais custoso para a empresa do que esse valor do benefício”, admite o encarregado de RH, Renato Valentim de Goes.
Prêmio por sugestão
A mesma fábrica que oferece o curioso prêmio-assiduidade também se destaca por manter um plano de sugestões, por meio do qual o funcionário pode receber até R$ 650,00. A premiação é mensal. Todas as sugestões são encaminhadas ao departamento de recursos humanos (RH) e avaliadas pelas diretorias responsáveis. As idéias são classificadas e as melhores são recompensadas. “Nós já temos mais de 2 mil sugestões implementadas. Se a sugestão está trazendo melhoria para a empresa, por que não premiar esse funcionário?”, questiona o encarregado de RH, destacando que, em média, oito funcionários recebem a gratificação por mês.
A premiação é baseada no salário mínimo e, dependendo da classificação, vai de 34% a 250% do valor do salário. Além do dinheiro, no final de cada semestre, o funcionário que for indicado pela quantidade ou pela qualidade das sugestões classificadas, é ‘agraciado’ com uma viagem a um hotel fazenda, com direito a acompanhante. A iniciativa, segundo o encarregado de RH, faz sucesso dentro da empresa.
O assistente técnico de desenvolvimento e produção Daniel Pantinati, 29 anos, já foi premiado cerca de dez vezes devido às sugestões apresentadas. Em duas ocasiões, ele recebeu o valor máximo oferecido em dinheiro.
O funcionário, que faz faculdade com uma ajuda de custo oferecida pela empresa, diz que sua relação com o local de trabalho vai de vento em popa. “Eu já trabalhei em outras empresas, mas minha vida profissional começou aqui”, afirma Pantinati, elogiando também o tratamento humano dispensado no local.
Entre outros benefícios, os funcionários contam com assistência médica e odontológica, ajuda de R$ 130,00 para custear os estudos de graduação e pós-graduação, programa de capacitação e qualidade de vida, que inclui ginástica laboral, programas de ergonomia, fisioterapia e educação postural.
“Quando a gente fala em gama de benefícios, a empresa também está querendo trazer (para o seu quadro) os melhores funcionários e segurar aqueles que estão conosco para que outras empresas não tenham atrativos diferenciais que possam levá-los”, conta o encarregado de RH, destacando que a intenção é de fidelizar a relação empresa-funcionário.
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Vínculo
“Eu pensaria até três vezes antes de trocar de empresa”. A frase, do repositor André Damaceno dos Santos, expressa o vínculo que o trabalhador estabeleceu com a rede de supermercados em que trabalha há sete anos.
A empresa oferece bolsa de estudo de 50% do valor das mensalidades para cursos regulares (até doutorado) em qualquer entidade de ensino particular; crédito educativo para graduação; kit material escolar para os filhos dos funcionários; bolsa de estudo especial para empregados cujos filhos necessitam de escolas diferenciadas; assistência médica e odontológica 100% cobertas pela empresa e extensivo à família; enxoval completo para o bebê; prêmio por tempo de empresa; etc, etc, etc, etc.
Foi com a bolsa de estudos oferecida aos funcionários que o líder de seção Márcio Fusa conseguiu concluir a faculdade de ciências contábeis. Atualmente, ele utiliza o benefício para fazer pós-graduação.
“Isso é um diferencial. Esse tipo de incentivo faz com que você fique fiel à empresa”, afirma o funcionário, destacando que, sem essa contrapartida, não conseguiria dar continuidade aos estudos.
O coordenador de benefícios da rede de supermercados, Marco Antônio Moreira. destaca que, com a concessão de benefícios, os funcionários em geral se sentem mais motivados e envolvidos no ambiente de trabalho. Segundo ele, a empresa reconhece que esse investimento traz retorno em termos de produtividade.
Os encarregados de RH das empresas selecionadas pela reportagem afirmam que hoje a maior parte dos direitos adquiridos por seus funcionários extrapola o que é previsto pela CLT.