O candidato a prefeito Tuga Angerami (PDT) considera que a comparação com a candidatura de Caio Coube (PSDB) em torno da alternativa à sua experiência na vida pública não será a tônica da campanha até o dia 31 de outubro, quando a população vai escolher um dos dois para assumir a Prefeitura Municipal de Bauru.
Tuga acha equivocada a comparação e aposta na folha de serviços prestados como um diferencial para oferecer seu nome ao eleitorado. Na entrevista concecida logo após a confirmação do segundo turno, após as 22h30 de ontem, Tuga comentou sobre o resultado nas urnas nesta primeira etapa:
JC - Que avaliação o senhor abstrai do resultado do primeiro turno?
Tuga Angerami - Primeiro, quero agradecer os quase 80 mil bauruenses que puderam apoiar, aceitar e compreender nossa proposta, transformando isso em voto e nos deram esse voto de confiança. Em segundo lugar, já vinhame preparando para o segundo turno, que sempre foi uma oportunidade, para disputar esta etapa. Vejo com naturalidade, com tranqüilidade e reitero o compromisso que assumi no início do primeiro turno. Vamos fazer de novo uma campanha de alto nível, sem ataque, sem agressão, discutindo profundamente os problemas da cidade. Queremos mostrar a todos os bauruenses que é possível fazer política com ética, com seriedade, com dignidade e com respeito ao outro que disputa conosco. Honramos esse compromisso no primeiro turno e não atacamos ninguém nem em rádio, nem em TV, nem em debates.
JC - Agora vem a comparação direta. Qual é essa comparação em relação ao adversário Caio Coube?
Tuga - Eu continuo sendo o ex-prefeito de Bauru que desenvolveu um trabalho importante para a cidade e reconhecido pela população, com reconhecimento reiterado agora nos quase 78 mil votos que tive. Fui deputado federal e tenho essa experiência acumulada e vou disputar o segundo turno trazendo toda essa experiência que adquiri ao longo da minha vida política, toda a experiência que adquiri também na minha vida profissional, dentro da universidade, e volto a colocar à disposição da população essa bagagem política e profissional. Agora, o segundo turno tem uma diferença essencial em relação ao primeiro. No primeiro, tínhamos oito candidatos, com o tempo pulverizado. Participar de um debate com um minuto para apresentar uma proposta e 30 segundos para discutir uma proposta é difícil e isso muda no segundo turno. Agora haverá a oportunidade de aprofundar as propostas.
JC - Já no primeiro turno os tucanos colocaram o passado com o novo. Isso pode ser o comparativo?
Tuga - A melhor forma de se prever como alguém vai se comportar no futuro é conhecendo como essa pessoa se comportou no passado quando teve essa oportunidade. A história de novo e velho acho, em primeiro lugar, uma bobagem. Em segundo lugar, o que é o novo ou o velho? A nossa diferença de idade não é grande, mas talvez a experiência minha realmente seja maior. Por outro lado, a universidade e a vida pública traz uma coisa muito boa, ela te obriga a se atualizar permanentemente. Ao longo da minha vida toda eu enfrentei os desafios da vida pública e da universidade, que ocorrem com alunos jovens e desafiadores. E é por isso que me mantive muito atualizado e capaz de enfrentar desafios como este, disputar a Prefeitura de Bauru. Conheci pessoas mais velhas que eu que respeitei pela sua agilidade e modernidade. Achar que ser mais jovem é mais moderno é um equívoco.
JC - Como será o procedimento de conversar com as demais legendas no arco de alianças?
Tuga - Em primeiro lugar, a conversa deve ser entre direções partidárias. Não considero adequado que a conversa seja entre candidatos. Acho que os partidos é que têm que discutir o leque de alianças e em cima de propostas de governo e de programas partidários. É óbvio que fica muito mais fácil o casamento com os partidos que tiverem um programa de governo próximo daquilo que nós apresentamos como um projeto de cidade. Quem tem que travar essa discussão são as lideranças partidárias. Não acredito que vai pesar simpatia ou antipatia. Não tem ninguém dos candidatos por quem eu possa dizer que não me simpatizei. Isso não é fundamental. Poltizar a discussão é colocar essa discussão para os partidos e de que forma um programa partidário pode se ajustar a esse projeto de governo para Bauru. Vamos fortalecer as direções partidáras.
JC - O PV, por exemplo, diz que vai discutir suas propostas com os dois candidatos do segundo turno.
Tuga - Tenho para mim que os partidos, de uma maneira geral, vão querer discutir propostas de governo. Uma vez que se discutem propostas e apoiam, entram para a disputa juntos e participam juntos do governo. Agora isso não tem nada a ver com loteamento de governo. Pelo que conheço dos futuros interlocutores, a discussão vai ficar no nível das propostas. Você citou, por exemplo, o PV. Não vejo nenhuma dificuldade, até porque o PV é um partido que tem propostas interessantes de discutir e até mesmo vindo a incorporar propostas do PV. E essa discussão vai ser feita com os demais, de participar junto na campanha, lutar pela vitória e governar junto com a adequação da proposta para a cidade.